Aspectos relativos a métodos utilizados em atividades voltadas para Inovação e Criatividade

Neste post sobre INOVAÇÃO SISTEMÁTICA e CRIATIVIDADE estudaremos o tema da inovação segundo os pontos de vista de sua sistematização e metodologias estruturadas.

A inovação, um dos assuntos mais discutidos nos dias atuais, permite interpretações diversificadas, assim como são inúmeros os métodos utilizados para se inovar.
O método que iremos expor é diferente daqueles que muitos têm como seguros e consolidados pelo hábito e por nosso cotidiano. Não é preciso ser gênio para aplica-lo a fim de inventar coisas novas, novos produtos e serviços. Não é necessário fazer uma reunião com várias pessoas, aplicar um método como “brainstorming” e pedir-lhes para criar algo novo: as incertezas e o espaço de busca seriam amplos demais para o tempo escasso que as empresas de hoje tem para colocar seus produtos no mercado para serem consumidos.

Tanto em manufatura como em serviços, não é de hoje que existem numerosos métodos para inovar, implantar e gerenciar, assim como atender às demandas de mercados cada vez mais competitivos e exigentes.
Ao contrário de diversos destes métodos e concepções voltadas para práticas estruturadas e modelos matemáticos, que tiveram sua origem no Japão e na Alemanha do pós guerra e nos EEUU mais recentemente e que vieram revolucionar as técnicas modernas de produção, concepção e desenvolvimento de produtos e serviços, a metodologia aqui abordada surgiu na antiga União Soviética por volta de 1940.

O método, que se denomina TRIZ, segundo a Wikipedia, é “uma criação de G. S. Altshuller, um brilhante pensador nascido em Tashkent, Uzbequistão, em 15 de outubro de 1926 e falecido em Baku, Azerbaijão, em 24 de setembro de 1998. É a Altshuller que se deve o mérito pela criação da TRIZ Clássica, iniciada nos anos 1940 e desenvolvida sob sua liderança até o início dos anos 1990.

TRIZ é uma sigla russa, transcrita para o nosso alfabeto como Teoria Rechenia Izobretatelskih Zadatchi e significa, literalmente, Teoria da Resolução de Problemas Inventivos. Entretanto, a tradução Teoria da Solução Inventiva de Problemas (do inglês Theory of Inventive Problem Solving) é a mais comum. De acordo com Altshuller, problemas inventivos se constituem em um tipo especial de problemas – aqueles que contém contradições. A sigla TRIZ somente surgiu nos anos 70, mas acabou sendo adotada internacionalmente”.

O método que adotaremos neste curso é uma evolução, por assim dizer, dos métodos clássicos da TRIZ, uma versão simplificada e voltada para as necessidades atuais das pessoas e das empresas.

Inovações existem em todas as partes, e sua presença tem sido um fator determinante para alavancar o progresso e ampliar as fronteiras do conhecimento nas ciências, na tecnologia e inclusive nas humanidades, e existem diversas formas de se abordar a marcha acelerada do progresso e, especialmente, da inovação.

Este post baseia-se em uma obra importante, bastante original e pioneira, pela fundamentação técnica da TRIZ que nela foi introduzida. Trata-se da obra “Engineering of Creativity – Introduction to TRIZ Methodology of Inventive Problem Solving”, CRC Press, 200, USA, de Semyon D. Savransky, (Referência 3), cuja consulta levou-nos a uma expansão dos conceitos ali apresentados. Somos gratos a este consagrado autor e experiente profissional da TRIZ pela gentileza em ter autorizado este aprofundamento dos conceitos por ele originalmente descritos em seu livro.

 

O livro de S. Savransky, que inspirou-nos na elaboração deste post
O livro de S. Savransky, que inspirou-nos na elaboração deste post

OBJETIVO: Neste post discutiremos os seguintes assuntos:

  • O que são problemas rotineiros  e problemas criativos
  • As dificuldades de um problema
  • Inércia Psicológica
  • Método da tentativa e erro
  • Métodos para ativação da criatividade
  • Instrumentos de auxílio à decisão
  • A resolução de problemas e a Informação
  • Requisitos para a resolução de problemas criativos
  • Resumo

1 – PROBLEMAS TRATADOS PELA METODOLOGIA TRIZ

Na definição de Savransky (2000): “TRIZ é uma metodologia sistemática, orientada ao ser humano, baseada em conhecimento, para a solução inventiva de problemas.”

Segundo este autor, os problemas tratados pela metodologia TRIZ devem ser:

  • Fisicamente possíveis, correspondendo às leis da natureza;
  • Tecnicamente possíveis, correspondendo aos recursos disponíveis segundo conhecimentos técnicos e científicos atuais;
  • Rentáveis do ponto de vista econômico.

1.1  – DIFICULDADE DE UM PROBLEMA

A definição de Savransky com relação à DIFICULDADE EM SE RESOLVER UM PROBLEMA é bastante interessante. Suponhamos que a solução de um problema admita V variantes de possíveis tentativas ou etapas que não sejam capazes de levar a uma solução aceitável e que seja S o número de etapas capazes de levar a uma solução aceitável.

Admitindo-se que sejam iguais todos os passos que podem levar à solução, define-se como Grau de Dificuldade D na resolução de um problema a relação

D =  V/S (1.1)

Por esta relação, está claro que se o número de variantes V for elevado, sendo S pequeno, a dificuldade D para resolver o problema será elevada. Por outro lado, se o número de soluções S for elevado e superar V, a dificuldade D será reduzida.

Inercia_psicologica

Figura 1: Um problema e variantes de sua solução segundo o Vetor da Inércia Psicológica.
Em um espaço de busca muito amplo, a solução do problema pode se encontrar em S, mas não será alcançada por meio de métodos convencionais, a não ser que uma metodologia estruturada como TRIZ permita encontra-la (Fonte: IdeaBrain, Basic TRIZ Course).

1.2 – INÉRCIA PSICOLÓGICA

Diversos ramos da Psicologia, das relações humanas no trabalho e atividades voltadas para implantar nas empresas programas de incentivo ao desenvolvimento de novos produtos, costumam identificar muitos entraves dos indivíduos na busca de soluções aceitáveis do ponto de vista de se criar uma mentalidade voltada para a Inovação e Criatividade.
Dentre os obstáculos que surgem nestas situações, a primeira que se nos apresenta é a chamada INÉRCIA PSICOLÓGICA. Este é um conceito que se refere ao que poderíamos denominar vício ou ciclo vicioso do pensamento, e ao quanto podemos estar acomodados na resolução de problemas rotineiros que nos afetam diariamente. Reside na “força do hábito”, como se diz, e se constitui em um obstáculo ou impedimento na solução de problemas.

Savransky nos dá uma clara explicação do que significa a INÉRCIA PSICOLÓGICA  através de um exemplo de nosso cotidiano.

Quantas vezes já deixamos trincar um copo de vidro simplesmente porque vertemos nele o café quente demais? – lembra o autor do texto analisado.
Quando sopramos no copo para esfriar o café, trata-se de um claro exemplo da inércia psicológica. Nós o fazemos porque estamos habituados a soprar para esfriar o café.

Como poderemos utilizar uma SOLUÇÃO TÉCNICA para resolver este problema?

Ora, se introduzirmos uma colher no copo antes de verter o café, evitaremos trincar o copo e poderemos também esfriá-lo – a INÉRCIA PSICOLÓGICA é VENCIDA mediante uma SOLUÇÃO TÉCNICA, aliada ao CONHECIMENTO.

COMO VENCER A INÉRCIA PSICOLÓGICA

Para vencer a inércia psicológica, poderíamos imaginar que pessoas de QI elevado poderiam fazer isto com facilidade. Em http://cienciahoje.uol.com.br/66101, o professor Sérgio Danilo Pena, do Departamento de Bioquímica e Imunologia da Universidade Federal de Minas Gerais afirma:

“Postula-se a existência de uma qualidade humana chamada “inteligência”, medida quantitativamente pelo teste de QI”. Mas há muito mais dimensões no termo “inteligência” do que um teste de QI se propõe a quantificar, tais como a capacidade de apreender e organizar dados, capacidade de resolver problemas e empenhar-se em processos de pensamento abstrato etc.

Acreditamos ser esta uma afirmativa correta, e que corrobora alguns aspectos relativos à nossa capacidade de resolver problemas mediante criatividade, vencendo a inércia psicológica.

Em suma, o CONHECIMENTO, somado à INVENÇÃO, é capaz de vencer a inércia psicológica.

1.2.1 – REFERÊNCIAS NA INTERNET: INÉRCIA PSICOLÓGICA

A INÉRCIA PSICOLÓGICA é um dos aspectos mais importantes da TRIZ. Uma busca no Google sobre o termo “Psychological Inertia”, (entre aspas para fixar a busca nas duas palavras e nesta ordem), em 16/07/2013 levou-nos a aproximadamente 1.640.000 resultados (0,31 segundos), possivelmente páginas com a definição, e 3.24 resultados no Yahoo.
A busca em Português, “Inércia Psicológica”, levou a 2500 resultados em 0,40 segundos no Google. A primeira referência encontrada na busca em Inglês é um artigo escrito por James Kowalick, TRIZ Master, do Renaissance Leadership Institute (E-Mail: headguru@oro.net) em http://www.triz-journal.com/archives/1998/08/c/ que afirma:

“The psychological meaning of the word “inertia” implies an indisposition to change – certain “stuckness” due to human programming. It represents the inevitability of behaving in a certain way – the way that has been indelibly inscribed somewhere in the brain. It also represents the impossibility – as long as a person is guided by his habits – of ever behaving in a better way”.

Sugerimos uma leitura do artigo http://www.triz-journal.com/archives/1998/08/d/index.htm, deste mesmo autor, que esclarece alguns pontos importantes.

1.3 – MÉTODO DA TENTATIVA E ERRO

Este método é eficiente quando o número de tentativas para se chegar à solução não é muito grande, e o problema examinado é autocontido, isto é, o universo de soluções possíveis é fechado. No caso de problemas abertos, sujeitos a numerosos caminhos capazes de levar a uma solução, nem sempre este método é vantajoso.

Savransky menciona que este método pode inclusive expor pessoas a risco de vida, o que é verdade.

Em nossa opinião, ignorância e tentativa e erro convivem lado a lado, podendo levar a efeitos catastróficos tendo em vista as consequências de seu uso indiscriminado.

Alie-se a este fato que, neste método, muitas das questões são subjetivas, podendo levar a soluções fora do escopo técnico ou científico, além de demandar muito tempo, já que o número de tentativas pode ser elevado.

1.4 – MÉTODOS DESTINADOS A ATIVAR A CRIATIVIDADE

Presentemente existem muitos métodos destinados à resolução de problemas que podem ser considerados alternativos aos métodos de TENTATIVA e ERRO. Dentre estes métodos podemos citar:

1.4.1 – Métodos destinados a ativar a criatividade

  • Brainstorming
  • Synectics
  • Lateral Thinking
  • “Mind Machines”
  • Programação Neolinguística
  • Mapas Mentais

1.4.2 – Métodos destinados a expandir o espaço de busca

  • Análise Morfológica
  • Objetos Focais
  • Analogias Forçadas

1.4.3 – Métodos Aliados à Tomada de Decisão

  • T-Charts
  • Tabelas de Probabilidades para Análise e Decisão

Discutiremos cada um destes métodos em seguida.

Antes de entrar em detalhes, devemos lembrar que muitos estudiosos julgam que o cérebro humano possui determinadas qualidades que tem raízes na psicologia subjetiva, ou em certos mecanismos associados à sua estrutura biológica.
É isto que se ouve quando se fala de certas pessoas privilegiadas como Leonardo Da Vinci e outros gênios do Renascimento, ou com relação a Físicos como Einstein, Plank ou Heisemberg e, atualmente, a respeito de empresários de sucesso como o falecido Steve Jobs, da Apple.

Hoje sabemos que, na maioria das pessoas, o pensamento estruturado, prático e objetivo, está associado ao hemisfério esquerdo do cérebro, e o pensamento criativo ao hemisfério direito, e que ambidestros possuem um domínio mais apurado nas atividades artísticas ou esportivas que as pessoas destras>

Supõe-se que as pessoas capazes de integrar dinamicamente estes dois hemisférios, com passagem de informações pelo do chamado “corpus calosum”, que é a ponte de comunicação entre eles, podem destacar-se das outras pessoas que não tem a mesma conformação craniana.

É o caso de muitos músicos, solistas e ginastas olímpicos, que conhecem partituras inteiras de concertos, e as executam impecavelmente bem.

No entanto, estas suposições carecem de provas definitivas, e ainda estão sendo discutidas em diversos trabalhos com os quais não nos ocuparemos aqui. No entanto devemos citar um fato muito interessante com relação a jogadores de futebol.

É fato sabido que um jogador de futebol destro, isto é, que saiba usar bem sua perna direita, poderá ser excelente jogador treinando com o pé esquerdo. A razão é simples: a habilidade será maior se o jogador conseguir ativar transferências de conteúdo de suas habilidades profissionais de um hemisfério cerebral para o outro através do “corpus calosum”, a mencionada ponte que liga os dois hemisférios cerebrais. Algumas pessoas já nascem geneticamente com esta propensão, e outras se beneficiam dela mediante treinamento. Alguns jogadores excepcionais como Pelé, por exemplo, nasceram já acionando de modo inconsciente transferências de informação entre os dois hemisférios, que se comunicam biológica e dinamicamente, o mesmo acontecendo com instrumentistas e pianistas de renome, capazes de explorarem melhor suas habilidades nos instrumentos em que se especializaram.

1.5 – Examinemos alguns métodos citados e destinados a ativar a criatividade:

1.5.1 – Brainstorming

Ref.: http://www.imasters.com.br/forum/index.php?showtopic=7474&st=20

Esta é uma técnica para ser usada em reuniões de grupo. O brainstorming visa ajudar os participantes a vencer suas limitações em termos de inovação e criatividade. Criada por Alex Osborn em 1963, uma sessão de brainstorming pode durar desde alguns minutos até várias horas, consoante a individualidade das pessoas, sua capacidade de interagir com outras pessoas e a dificuldade do tema que está sendo discutido.
Em regra, as reuniões de brainstorming não costumam durar mais de 30 minutos.
brainstorming tem quatro regras de ouro:

  • Nunca criticar uma sugestão;
  • Encorajar as ideias bizarras;
  • Preferir a quantidade à qualidade;
  • Não respeitar a propriedade intelectual.

Além de zelar para que todos os participantes (geralmente entre 6 e 12 pessoas) cumpram as regras, o líder da sessão deve manter um ambiente relaxante e propício à geração de novas ideias.

Bibliografia: Apllied Imagination, de A. F. Osborn (Scribner’s, 1963).

1.5.2. Synectics ou Sinergia

Este é um método que foi desenvolvido por Gordon (*) (1961) e aperfeiçoado por Prince (**) (1972).

O nome Synectics deriva do fato de que este método foi desenvolvido para usar diferentes elementos de criatividade (incubação, pensamento divergente, tentativa e erro, analogias) de forma combinada.
É sugerido que a sinergia seja usada por um grupo interdisciplinar de quatro a sete pessoas.
Uma descrição abreviada encontra-se no post de Antônio Azevedo na Internet, em http://www.antonioazevedo.com.br/archives/14.

Na Wikipedia, em Inglês, encontra-se uma boa introdução ao método, em http://en.wikipedia.org/wiki/Synectics

1.5.3 – Pensamento Colateral – Lateral Thinking

Este método foi proposto originalmente por Edward De Bono, psicólogo Maltês, médico e escritor. O termo apareceu pela primeira vez no título de seu livro The Use of Lateral Thinking, publicado em 1967.

A Wikipedia possui, em Inglês, uma extensa biografia e descrição do método: http://en.wikipedia.org/wiki/Edward_de_Bono
De Bono define Lateral Thinking como a forma de pensamento que leva a mudar conceitos e percepções.

Pensamento Colateral se refere a um tipo de raciocínio que não é imediatamente óbvio e que se vale de ideias que não podem ser obtidas mediante o raciocínio habitual, usando a lógica habitual, a heurística ou um algoritmo.

Ao se pesquisar o termo “Lateral Thinking” na Wikipédia encontramos um exemplo bem sugestivo de seu emprego:

“Consider the statement “Cars should have square wheels.” When considered with critical thinking, this would be evaluated as a poor suggestion and dismissed as impractical. The lateral thinking treatment of the same statement would be to speculate where it leads. Humor is taken intentionally with lateral thinking. A person would imagine “as if” this were the case, and describe the effects or qualities. Someone might observe: square wheels would produce very predictable bumps. If bumps can be predicted, then suspension can be designed to compensate. How could this car predict bumps? It could be a laser or sonar on the front of the car. This leads to the idea of active suspension. A sensor connected to suspension could examine the road surface ahead on cars with round wheels too. A car could have a sensor for determining when it was going to hit a bump that feeds back to suspension that would know to compensate. The initial “provocative” statement has been left behind, but it has also been used to indirectly generate the new and potentially more useful idea”.

Uma aplicação decorrente de um tipo de predição semelhante, aplicado não com relação a saliências no terreno (suspensão ativa), mas contra atropelamentos, foi criada pelo fabricante de automóveis Volvo, da Suécia, que desde 2010 pertence à Zhejiang Geely Holding Group e a dois fundos chineses de investimentos.
O recente modelo Volvo V40 usa sensores para detectar a presença de pedestres na iminência de atropelamento frontal quando o carro está transitando em baixa velocidade.
Este sistema de ação preventiva ou antecipada está previsto dentre os 40 Princípios Inventivos da TRIZ, originalmente propostos por seu criador Genrich Altshuller, que diz:

  • Princípio 11 – Amortecimento antecipado: Preparar meios de emergência antecipados a fim de compensar efeitos indesejáveis ou mau funcionamento de um sistema ou objeto.

Embora este sistema de prevenção não se relacione com o Pensamento Colateral, muitas vezes soluções impossíveis de se imaginar sugerem esta prática, como no caso da suspensão ativa citada anteriormente.

Modelo recente doVolvo V40, de empresa chinesa, com airbag para pedestres.
Modelo recente do Volvo V40, com airbag para pedestres.

Figura 2: Modelo Volvo 40 recentemente lançado, com airbag para pedestres. Ao contrário do que muitos julgam, a Volvo atualmente é uma empresa chinesa, país que tem se destacado como um dos líderes em inovação no momento.

Sobre Pensamento Colateral sugerimos vistar:

Ref: http://en.wikipedia.org/wiki/Lateral_thinking

Para maiores detalhes pode-se acessar a página de DeBono: em http://www.edwdebono.com/debono/lateral.htm

1.5.4 – Mind Machines

Esta técnica utiliza sons e luzes para alterar os ritmos corticais ou ondas cerebrais do sujeito, resultando em estados alterados de consciência comparáveis com aqueles que são obtidos através da meditação ou exploração shamânica. O processo é ainda conhecido como Brain Wave Synchronization.

Os equipamentos utilizados consistem de uma unidade de controle, um par de fones de ouvido, lâmpada estroboscópica e óculos especiais. A unidade de controle administra as sessões e direciona os diodos emissores de luz que ficam nos óculos.

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Figura 3: Aparelho para estimulação artificial de estados alterados da consciência.

Ref: Mind Machines und Hipnose, em http://www.nlp-hypnose.info/category/mind-machines/

Em geral, as sessões com uso deste aparelho tem por objetivo rebaixar o nível de frequência das ondas cerebrais de um nível elevado para outro menos elevado, o que se faz em várias etapas.

Geralmente, as frequências alvo situam-se no domínio do ritmo alfa em uma faixa que vai de 8 a 12 ciclos/seg.
Os equipamentos utilizados na detecção permitem bio-feedback e neuro-feedback para que os ajustes necessários sejam feitos. Modernamente, estes equipamentos conectam-se à Internet para atualização de software e download de novas sessões. Se usados em conjunto com meditação, neuro-feedback, etc., os efeitos podem ser consideravelmente ampliados.

Ref. Wikipédia, http://en.wikipedia.org/wiki/Mind_Machine
Informações complementares interessantes, oriundas da Cibernética, podem ser encontradas emhttp://en.wikipedia.org/wiki/Intelligence_amplification

Os planos estabelecidos para amplificação da inteligência por meio das chamadas “Mind Machines” são ambiciosos, e remontam à época áurea da Cibernética, ciência fundada pelo matemático Norbert Wienner e que procura estabelecer processos e métodos para integração entre homens e máquinas, e em especial entre o cérebro humano e o cérebro de computadores.
Veja-se a publicação pioneira de William Ross Ashby, “Design for a Brain”, editado por Chapman & Hall em 1952, um dos clássicos da Cibernética.

Veja-se também o livro ”The Mechanical Mind in History”, Bradford Book, ed. pela MIT Press por Philip Husbands, Owen Holland, and Michael Wheeler, um compêndio de diversas tentativas no sentido de se compreender, nos campos da biologia e da computação, o cérebro, a inteligência humana e as possibilidades de amplifica-la.

Para um aprofundamento no assunto, recomendamos ainda o artigo de Douglas C. Engelbart na Internet, “AUGMENTING HUMAN INTELLECT: A Conceptual Framework”, em http://www.dougengelbart.org/pubs/augment-3906.html

Neste artigo, Engelbart lança as premissas dos objetivos a que se propõe com o uso da Mind Machine e estudos correlatos para amplificação da inteligência:

  • Que estes estudos devem prover aos interessados de uma perspectiva para pesquisas básicas de longo alcance e outras que permitirão chegar a resultados práticos com rapidez;
  • Que devem indicar o que esta amplificação da inteligência realmente envolve em termos de alterações do ambiente de trabalho, da maneira de pensar e relativamente ao modo como trabalhos;
  • Que as pesquisas possam firmar-se como base para avaliar a relevância possível do trabalho e do conhecimento a partir de campos científicos já existentes, assimilando o que seja importante;
  • Que possam revelar áreas onde as pesquisas sejam viáveis, assim como estabelecer um ponto de partida e metodologias para trabalhos futuros. 

Embora tenha importância histórica, o trabalho é atual em função dos progressos alcançados nos últimos anos por meio da evolução dos computadores e as análises do funcionamento dinâmico das estruturas do córtex humano através de sensores e scanners de alta sensibilidade.

1.5.5 – Programação Neuroliguística

A Programação Neurolingüística (ou simplesmente PNL) é um conjunto de técnicas, axiomas e crenças que seus praticantes utilizam visando principalmente o desenvolvimento pessoal.

É baseada na ideia de que a mente, o corpo e a linguagem interagem para criar a percepção daquilo que cada indivíduo tem do mundo, e tal percepção pode ser alterada pela aplicação de uma variedade de técnicas. A fonte que embasa tais técnicas, chamada de “modelagem”, envolve a reprodução cuidadosa dos comportamentos e crenças daqueles que atingiram o “sucesso”.

O foco original da PNL era o estudo dos padrões fundamentais da linguagem e técnicas de terapeutas notórios e bem-sucedidos em hipnoterapiagestalt e terapia familiar.

Mais tarde, os padrões descobertos foram adaptados visando proporcionar uma capacidade pessoal de se comunicar de forma mais efetiva e também propiciar a realização de mudanças.

Apesar de sua popularidade [1], a PNL continua a causar controvérsia, particularmente para o uso terapêutico e, depois de três décadas de existência, permanece sem comprovação científica. A PNL também tem sido criticada por não ter conseguido ainda estabelecer um órgão regulador e certificador que seja amplamente reconhecido, a ponto de poder impor um padrão e um código de ética profissional.

1.5.5.1 – Programação Neolinguística, Mundo Real e Mundo Percebido

Um dos pontos básicos de que a PNL trata diz respeito ao que é chamado diferença entre o mundo real e o mundo percebido. A mente cria modelos da realidade, usando referências apreendidas pelos cinco sentidos. Estes modelos são “filtrados” pela focalização da atenção, de modo que o mesmo estímulo percebido se transforma em comportamentos totalmente diferente para várias pessoas. Um esquimó, por exemplo, percebe o gelo e a neve de forma completamente diferente de uma pessoa urbana. Sua experiência da neve é mais rica, com muito mais referências. De certa maneira, ele “vive em outro mundo subjetivo”.

Isso é a mente para a PNL – uma construção de experiências perceptivas, em um processamento em várias camadas. Por praticidade, chama de níveis conscientes e inconscientes, mesmo sem se preocupar se cientificamente existe o inconsciente. Usa o termo porque ajuda em seus processos práticos. Ela juntou vários conceitos e constatações da Teoria da Comunicação, da Linguística, da Cibernética, da Teoria dos Sistemas e da Gestalt, da Terapia Familiar, da Hipnose Ericksoniana, da Neurociência e a partir deles criou alguns pressupostos, uma série de parâmetros para tentar explicar a “caixa preta” da mente humana, e assim tentar entender como mudar o comportamento humano a partir da comunicação.

As práticas de PNL, com os exercícios de mudança, visam alinhar o pensamento lógico e o intuitivo, a dedução e a indução, conectando toda a motivação e emoção que podem estar dispersas no indivíduo, para ficarem a serviço de suas decisões. A PNL utiliza técnicas que poderíamos chamar de meditativas e hipnóticas para estabelecer o que chama de “estados focalizados” e assim tentar fazer com que a pessoa utilize o seu pensamento da melhor maneira possível. Por isso, muitos dos exercícios recorrem a “estados alterados de consciência”, ou estados de transe.

Devemos chamar atenção aqui que a PNL constitui a base de um célebre artigo de Ludwig von Bertalanffy, em que este renomado pesquisador cita o fato de que a relatividade das categorias do conhecimento está relacionada à forma e estrutura da linguagem, aos seus desdobramentos no plano sintático e semântico. Veja-se mais em http://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_geral_de_sistemas

1.5.6 – Mapas Mentais (Mind Mappings)

Podemos considerar os Mind Mappings, conforme a expressão indica, como sendo uma técnica de se elaborar mapeamentos ou diagramas para representar palavras, ideias ou outras correlações organizadas de forma radial em torno de uma palavra ou ideia central.

É um método usado para gerar, visualizar, estruturar e classificar ideias, e funciona como instrumento de auxílio no estudo, na organização, na resolução de problemas e na tomada de decisão.

Diagrama de Mapas Mentais
Diagrama de Mapas Mentais

Figura 4: Mapa Mental simplificado, no blog Professores do Sucesso.
Último acesso em 16/07/2013.

O diagrama centralizado representa uma conexão semântica ou outro tipo de conexão entre partes da informação. Representando estas conexões de forma radial, gráfica e não linear, procura-se encorajar a abordagem de brainstorming para qualquer tarefa organizacional, eliminando-se os esforços de definir e estabelecer vínculos apriorísticos entre conceitos básicos intrínsecos ou parte do framework considerado. É uma das ferramentas mais utilizadas em Criatividade e Inovação, e muitas vezes em TRIZ.
O site da Creax, em www.creax.com, mostra como o uso desta ferramenta pode nos auxiliar no processo de desenvolvimento de novos produtos, ativando a criatividade.

Este método está relacionado com o também denominado pela Creax de Mapeamento do DNA do Produto – ou de sua “evolução genética”- a criação de variantes de um certo produto patenteado em novas variantes do mesmo, que possam ser legalmente patenteadas.

Os elementos presentes em um Mapa Mental são organizados intuitivamente de acordo com a importância dos conceitos e são organizados em grupos, ramificações ou áreas. A formulação gráfica uniforme da estrutura semântica da informação relativamente ao método de se buscar conhecimentos sobre uma dada situação pode nos auxiliar na busca de lembranças latentes ou de fatos esquecidos.

Informações detalhadas sobre Mapas Mentais podem ser consultadas na Wikipédia, em http://en.wikipedia.org/wiki/Mind_Mapping

1.5.7 – Métodos destinados a expandir o espaço de busca

Existem três métodos destinados a expandir o espaço de busca, também destacados por Savransky, em seu livro Engineering of Creativity:

  • Análise Morfológica
  • Objetos Focais
  • Analogias Forçadas

1.6. Análise Morfológica

A Análise Morfológica foi proposta inicialmente por Leibnitz (1646-1716) e mais tarde por Fritz Zwicky, astrônomo Suíço (1898-1974) que residiu nos EEUU, para onde emigrou em 1925, tendo trabalhado no Califórnia Instituto of Technology (Caltech) a maior parte de sua vida.

As atividades de Zwicky compreendem uma vasta gama de descobertas e inovações em vários campos do conhecimento. Medalha de ouro da Royal Astronomical Society, é precursor da teoria sobre a existência da matéria escura nos espaços intergalácticos, que hoje está na ordem do dia da Física e da Cosmologia, assim como é autor de inúmeras descobertas em Astrofísica.

A técnica da Análise Morfológica foi introduzida por ele com a finalidade de explorar todas as soluções possíveis de problemas multidimensionais complexos e não quantificáveis.

Como uma técnica para resolução estruturada de problemas, a Análise Morfológica foi concebida para o estudo de complexidades não redutíveis. Usando uma abordagem de consistência cruzada, seu método atua mediante a eliminação de parâmetros ilógicos em uma matriz ou grade, assim por ele denominada. Os objetos estudados podem ser componentes de um sistema físico, de um sistema social ou de um sistema lógico como, por exemplo, de uma língua ou um sistema de ideias: em geral aplicam-se à análise de problemas de tomadas de decisão em ambientes não quantificáveis.
Modernamente, esta metodologia está sendo usada nos estudos sobre ameaças de terrorismo, mormente a derrubada das Torres Gêmeas nos EEUU em 11 de setembro.

Com a finalidade de auxiliar na Análise Morfológica, a © Swedish Morphological Society, instituição voltada para esta metodologia, desenvolveu o software MA/Casper. Os interessados em aprofundarem-se no assunto poderão visitar o link http://www.swemorph.com/macarma.html e conhecer a versão mais moderna do aplicativo, MA/CarmaTM, Advanced Computer Support for General Morphological Analysis.
Este programa de computador tem à sua frente o Dr. Tom Ritchey, pesquisador e Research Director do Institution for Technology Foresight and Assessment na Swedish National Defence Research Agency (FOI) em Estocolmo.

Trabalhos em Análise Morfológica

Para que se possa fazer uma avaliação profunda do impacto da Análise Morfológica em vários setores de atividades, recomendamos uma visita à http://www.swemorph.com/downloads.html

Abaixo destacamos três trabalhos ali publicados:

Morphological Analysis – A general method for non-quantified modeling
Adaptado de um trabalho apresentado à 16th Euro-Conference sobre Análise Operacional, Bruxelas (1998).

Protection against Sabotage of Nuclear Facilities: Using Morphological Analysis in Revising the Design Basis Threat
Adaptado de um estudo realizado para a Swedish Nuclear Power Inspectorate, e apresentado no encontro “44th Annual Meeting of the Institute of Nuclear Materials Management” – Phoenix, Arizona, Julho de 2003

Strategic Decision Support using Computerized Morphological Analysis
Adaptado de um trabalho apresentado à ´9th International Command and Control Research and Technology Symposium´, Copenhagen, 14-16 Setembro, 2004.

Sugerimos a leitura do primeiro artigo, tendo em vista que versa sobre a Análise Morfológica conforme a concebeu originalmente Fritz Zwicky e mostra como esta metodologia evoluiu nas últimas duas décadas.

Para um tutorial recomendamos acessar  http://www.swemorph.com/tutorial.html

A Análise Morfológica e a chamada “Caixa Morfológica” receberam do prestigiado especialista em TRIZ, Semyon Savransky, considerações objetivas, mas muito ligeiras. Segundo este autor, o método de Zwicky tem por finalidade alcançar os seguintes objetivos:

  • Expandir o espaço de buscas para soluções de um problema e
  • Fornecer a garantia de que soluções inovadoras para certo problema não passem despercebidas.

Savransky menciona como um exemplo claro de Análise Morfológica anterior às ideias de Zwicky a Tabela Periódica dos Elementos criada pelo químico Russo  Dmitri Mendeleev em 1869, em que este analisou e previu a existência de muitos elementos químicos colocando, na tabela que recebeu seu nome, o número de elétrons da camada externa dos elementos na horizontal X, e na vertical Y o número de camadas eletrônicas destes elementos. Com isto, pode inferir um ”vetor de eficiência” na matriz e, através dele, predizer a existência de muitos outros elementos não descobertos ainda, inclusive suas propriedades químicas, bem como as propriedades de seus átomos e moléculas formadas a partir deles.

Para um histórico da Tabela Periódica dos Elementos visite a página da Wikipédia em
http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_da_tabela_peri%C3%B3dica

A Tabela Periódica dos Elementos
A Tabela Periódica dos Elementos

Figura 5: A Tabela Periódica dos Elementos, um exemplo do método de previsão que antecedeu a Análise Morfológica de Zwicky.

Na mesma seção em que analisa o Método Morfológico, Savransky cita Genrich Ya. Bush, cientista nascido na Lavínia, que em sua tese de doutorado na Universidade da Bielorússia, propôs uma matriz decimal para o método sob o título, “Creativity as a Dialog-Like Interaction”. A descrição desta matriz e das variáveis que compõem suas linhas e colunas acha-se nas páginas 11, 12, 13 e 14 do livro de Savransky.
Por considerar importante a redução de complexidade da Análise Morfológica implementada por Ya. Bush e sua aplicação aos sistemas técnicos, recomendamos ao interessado em TRIZ que tiver acesso a um exemplar do livro de Savransky fazer um estudo completo destas páginas.

1.7. Objetos Focais

A técnica dos objetos focais para a resolução de problemas envolve a síntese de características de objetos distintos que não se ajustam em algo novo.

Na Wikipédia podemos encontrar maiores explicações do que é dado aqui, e cujos passos para sua aplicação são os seguintes:

1      Selecione o ponto focal do objeto que deseja melhorar ou aprimorar;

2      Selecione um foco aleatório vizinho associado ao mesmo;

3       Liste as características do segundo objeto selecionado;

4      Combine as características do segundo objeto selecionado com aquelas referentes ao ponto focal do objeto original (Item 1)

5      Faça uma avaliação das ideias viáveis surgidas no processo.

Em um exemplo adaptado da Wikipédia, se estivermos analisando todas as maneiras de usar um tijolo (Item 1 – Foco), propiciemos a nós mesmos a oportunidade de considerar alguns objetos aleatórios vizinhos (Item 2) ou próximos como situações, conceitos, etc. e tentemos encontrar um uso para tijolos que não seja em construções (Itens 3 e 4).
Podemos citar seu uso como base para uma estante ou para improvisar uma churrasqueira, por exemplo.
Também se poderia imaginar pulverizar o tijolo para usá-lo como pigmento (Item 5).

Aqui, a semelhança com métodos usados na TRIZ é interessante, conforme se verá no Terceiro Módulo deste curso, quando estudaremos as PROPRIEDADES dos OBJETOS e suas FUNÇÕES segundo a metodologia da empresa CREAX, em Análise do DNA do PRODUTO.

1.8. Analogias Forçadas

Analogia Forçada é um método para geração de novas ideias que chega a ser divertido.
Seu objetivo é comparar o problema com alguma outra coisa que tenha com ele pouca coisa em comum ou mesmo nada e, com isto, obter um novo insight do problema.

Pode-se forçar uma relação entre quase tudo e obter novos insights, – empresas e baleias, sistemas gerenciais e sistemas telefônicos de comutação, etc.

O relacionamento forçado é uma das mais poderosas metodologias para se desenvolver novos insights e se obter novas soluções. Uma maneira de fazer isto é através de uma seleção de objetos ou cartas, com figuras destinadas a gerar novas ideias. Para isto pode-se escolher um objeto aleatoriamente e observar quais correlações são sugeridas.

A TRIZ possui um interessante recurso para este tipo estruturado de análise, por meio da sua Matriz de Contradições, idealizada por seu autor, Genrich Altschuller.

A empresa Ideation International Inc., http://whereinnovationbegins.net/, editou um baralho denominado Innovation Planner – Strategies and Solutions for Innovators, para a prática de TRIZ nas empresas. O baralho, que foi desenvolvido após consultas realizadas em 3 milhões de patentes e 500 padrões de evolução técnica, pode ser experimentado como se fosse um jogo, possibilitando que sessões criativas e bem estruturadas sejam experimentadas com ajuda das cartas. Seu manuseio não chega a nos levar a analogias forçadas como acima exposto, pois elas são sugeridas naturalmente, sem muito esforço.
O Innovation Planner é um meio extremamente eficiente para o aprendizado e a prática de TRIZ.

Cartas Innovation Planner, para TRIZ
Cartas Innovation Planner, para TRIZ

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Figura 6: Capa do deck de cartas da Innovation International para a prática de TRIZ, Innovation Planner.

1.9. Métodos Aliados à Tomada de Decisão

Do ponto de vista do Planejamento Estratégico Empresarial, existem métodos muitos variados, como aqueles relacionados aos Sistemas de Suporte à Decisão, Scorecards, Business Intelligence, Corporate Performance Management, etc.

Do ponto de vista de TRIZ, no entanto, Savransky cita apenas dois métodos:

  • T- Charts
  • Tabelas de Probabilidades para Análise e Decisão

Vejamos cada um deles:

T-Charts

Este método faz uso de tabelas que seguem a lógica dos Diagramas de Venn, e que inclusive podem fazer parte do método Synectics.
Comparação e contraste são usados para analisar semelhanças e diferenças entre coisas: pessoas, lugares, eventos, ideias, etc.

As características individuais são colocadas ou do lado direito ou esquerdo de uma tabela de duas colunas, por exemplo. As características em comum são colocadas na intercessão destas duas colunas numa forma estilizada do  Diagrama de Venn.

Diagrama de Venn

 

 

 

 

 

 

Figura 7 – Diagramas de Venn. Uma alteração destes diagramas, onde as áreas assinaladas podem corresponder a valores numéricos, permite que estes sejam usados na elaboração das tabelas T-Charts.

Devemos mencionar que esta metodologia favorece o pensamento analítico para a tomada de decisão. Geralmente, um gráfico de T feito em Excel é usado para listar dois pontos de vista separados de um tópico. Tópicos podem incluir qualquer coisa que pode ser claramente dividida em duas visões opostas. Por exemplo, avaliar os prós e contras de uma decisão importante é um uso comum de T-Charts.
Outros pontos de vista opostos que funcionam bem incluem fatos x opiniões, vantagens e desvantagens ou pontos fortes e fracos na análise de um problema.

T-Chart

 

 

 

 

 

 

Figura 8. Esboço de uma T-Chart Organizer.

Os métodos discutidos anteriormente podem gerar muitas ideias interessantes e soluções dentre as quais devemos selecionar as mais eficientes.

 1.10 – Resolução de Problemas e Informação

Existe uma correlação entre a Informação vista do ponto científico e a Capacidade de Canal para sua transmissão, estudada pela primeira vez por Claude Elwood Shannon (PetoskeyMichiganEUA30 de Abril de1916 – MedfordEUA24 de Fevereiro de 2001). Shannon foi um matemático estadunidense, considerado fundador da Teoria da Informação.

Em seu livro “The Mathematical Theory of Communication”, publicado pela primeira vez pelo Bell System Technical Journal em outubro de 1948, Shannon não só define o conceito científico de informação como mostra a capacidade de a mesma ser transmitida através de um dado canal.

Segundo ele, a transmissão da informação depende sempre do processo de codificação e modulação.

No caso em que tratamos aqui, vemos que esta capacidade está relacionada com a cultura científica de nosso tempo, nossas teorias e visões na interpretação da realidade que nos cerca. Em suma, depende antes de tudo de nossos códigos sociais, numa versão mais abrangente daquela encontrada na interpretação neolinguística.

Segundo o especialista em criatividade Edward deBono, o relacionamento entre informação e o valor do processo decisório tem a forma de um sino. Inicialmente, um aumento de informação leva a melhores soluções. A partir de um certo ponto, entretanto, o fornecimento de mais informação encontra restrições, como se fosse um gargalo ou a parte superior do sino, o que provoca um decréscimo das chances de se encontrar uma solução.

Mapa Mental, inventado por Tony Buzan, sobre o qual já nos referimos anteriormente, é um dos melhores métodos para representação da informação, e uma das melhores maneiras para se lidar com o tipo de problemas que são considerados na TRIZ.
Atualmente utilizamos em nossos trabalhos sobre este assunto o FreeMind, que pode ser baixado gratuitamente da Internet.

Sugerimos ao interessado acessar o link da Wikipédia sobre este assunto para maiores informações, em http://pt.wikipedia.org/wiki/Mapa_mental, onde podemos encontrar esclarecimentos a respeito, como:

O Mapa mental, ou mapa da mente [1] foi o nome escolhido pelo especialista Inglês em Inovação, Tony Buzan, voltado para a Gestão de Informação, do Capital Intelectual, a compreensão e solução de problemas, memorização e aprendizado, criação de manuais, livros e palestras, como ferramenta de brainstorming, gestão estratégica de negócios e um número interminável de outras atividades relacionadas com Inovação e Criatividade.

Mapa Mental

 

 

 

 

 

 

Figura 9: Acima, um tipo de Mapa Mental aplicado à Inovação.

Mapa Mental – Clique na imagem para acessar o site contendo a ilustração em tamanho real

1.11 – Resolução de Problemas

1.11.1 – Requisitos Para Análise Sistemática na Resolução de Problemas

Ao final do capítulo1 de seu livro, Savransky alinha três requisitos para resolução de problemas criativos:

  1. Deverá haver um mecanismo para redirecionar o investigador para as soluções mais plausíveis (Strong Solutions)
  2. Um problema contendo um grande número de variantes deve poder ser substituído por outro com um número menor de variantes. Esta forma de se considerar o problema resolve o dilema entre os métodos que se valem de tentativa-e-erro e as concepções de natureza heurística, reduzindo o espaço de busca.
  3. O processo deve sinalizar as estratégias mais promissoras.

Durante o processo de solução, este requisito leva-nos a selecionar os passos baseados em uma compreensão profunda das peculiaridades do problema e do sistema sob consideração, bem como de cada passo tomado.
É importante de que cada etapa seja analisada como aquela capaz de levar a uma solução acertada, ou que tenha a mais alta probabilidade de ser a resposta correta.

3. O processo deverá possibilitar o acesso a um conjunto de informações importantes, bem organizadas e necessárias em cada etapa do método de investigação.

1.11.2 – Qualidades Necessárias Para Resolução de Questões Não-Rotineiras

  1. Um desenvolvedor ou pesquisador competente deverá encontrar soluções de elevada qualidade com alto nível de reconhecimento em um tempo curto.
  2. Um bom solucionador de problemas deverá dominar praticamente todo o conhecimento humano na área, e utilizar uma metodologia de resolução de problemas que seja prática e eficiente.
  3. Um bom desenvolvedor de soluções deverá ser capaz de “desligar” sua inércia psicológica.

1.12 – Conclusões

Os problemas denominados Criativos pertencem a um subconjunto de problemas de engenharia e também alguns pertencentes a uma classe não rotineira de problemas que não podem ser resolvidos pelos métodos de tentativa-e-erro.

Todos os métodos de resolução de problemas levam em consideração as seguintes etapas críticas:

  1. Compreender o problema integralmente
  2. Identificar e avaliar todas as soluções possíveis
  3. Selecionar a melhor decisão
  4. Demonstrar que a melhor solução resolve efetivamente o problema e verificar e validar a solução.
  5. Documentar o processo de solução do problema.

Neste ponto devemos ressalvar que este Módulo 1 consiste de uma análise aprofundada do Capítulo I do livro do Prof. Savransky.
O que fizemos foi nada mais do que expandir algumas de suas ideias, brilhantemente expostas em sua extraordinária publicação sobre o Método TRIZ.
Para maiores detalhes, sugerimos ao interessado adquirir o livro e explorar integralmente o assunto em uma fonte abrangente e confiável, clicando neste link.

1.13 – Bibliografia

1 – Savransky, Semyon D., Obra citada
2 – Comentários no Blog de Antônio Azevedo, em http://www.antonioazevedo.com.br/archives/14
3 – Gordon, W. J. J., Synectics – 1a. Ed. Harper and Row, New York, 1961 – USA
4 – Prince, G. M., The Practice of Creativity, 2a. Ed. Collier Books, New York, 1972 – USA

Notas

(*) TRIZ – Teoria Para Resolução de Problemas Criativos ou Teoria Para Resolução Criativa de Problemas?

Esta é uma denominação um pouco confusa, que nos leva a considerar dois pontos de vista diferentes na abordagem de TRIZ. Parece-nos, no entanto, e esta é a opinião de vários autores e pesquisadores nacionais, que a denominação “Teoria Para Resolução de Problemas Criativos” é a mais apropriada, pelo que será usada neste blog.

(**) Podemos definir a Heurística como o núcleo do pensamento criador.

Modernamente, com o uso da programação orientada a objetos, o avanço das linguagens de programação, os algoritmos e os sistemas de gerenciamento de bancos de dados relacionais já não são os únicos elementos a se constituírem em instrumentos para a solução de problemas e pesquisas sobre bases de patentes na Internet.

Recentemente, uma nova modalidade de pesquisas, liderada pelo que se convencionou denominar de Web Semântica, assumiu uma posição destacada no âmbito das investigações sobre patentes e as ideias e soluções que nelas estão presentes.
Para conhecer um pouco sobre este assunto recente, sugerimos uma visita ao site do Comitê Gestor da Internet no Brasil, em http://www.w3c.br/Home/WebHome

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