EASyTRIZ e MAI-TRIZ, Meta Algoritmo da Invenção

PARTE III – Fundamentos de MAI-TRIZ – Meta-Algoritmo da Invenção

Eng. Prof. Sylvio Silveira Santos
sylvioss@gmail.com

“Be transformed by renewing of your mind.” (*)
Michael Orloff

Tendo examinado nos posts anteriores a evolução de um aparelho de barbear antigo da Gillete para o aparelho Mach 3 segundo os princípios do META ALGORITMO DA INVENÇÃO, MAI-TRIZ, abordaremos a seguir a evolução deste último para o moderno aparelho Gillette Fusion Power Proglider de 5 lâminas da mesma empresa.

Gillette-Fusion-Power-exploded_view

Figura 3.1 – Vista explodida do aparelho Fusion Proglider da Gillette, obtida através de sua representação no Autodesk Fusion 360 para Windows.

3.1 – INTRODUÇÃO

Neste terceiro post sobre a evolução de aparelhos da barbear Gillette, hoje pertencente à empresa multinacional Procter & Gamble, consideraremos o novo aparelho Fusion Proglider desta empresa.
Para ampliar nosso estudo utilizamos o aplicativo da Autodesk Fusion 360 para Windows, disponível na Internet, com acesso à galeria de modelos de Peter Bolker da Autodesk.
O aplicativo Fusion 360 pode ser baixado para o computador gratuitamente e usado no modo experimental por 30 dias.

Após sua instalação, pode-se examinar o projeto do aparelho Gillette Fusion segundo  detalhes construtivos, acessando vistas de alguns de seus componentes, reforçando os princípios da TRIZ considerados nos posts anteriores.
O software Autodesk Fusion 360 é um dos aplicativos indicados para se trabalhar com novos projetos, complementando os conhecimentos em Modern TRIZ apresentado neste blog.
Recomenda-se também o acesso aos produtos aqui estudados nos bancos de patentes existentes na Internet, principalmente o Google Patents.

Detalhes do aparelho Fusion Proglider e outros documentos relativos a este produto podem ser conhecidos nas patentes da Gillette de números U.S. D644789 and U.S. Patent Publication No. 2011/0219620 e acessando Google Patents.

Examinando esta patente mais atentamente podemos identificar o emprego do Princípio da Segmentação em TRIZ logo no início da descrição de uma de suas vistas:

“A hand held device with a handle comprising a gripping portion which includes a substrate which is retained in a retaining member such that the substrate can be changed during use or manufacturing without impacting the rest of the handle. Preferably, the substrate comprises an elastomeric material” … etc. Ou seja:

“Um dispositivo manual com uma pega que compreende uma parte de preensão que inclui um substrato que é retido num elemento de retenção de tal modo que o substrato pode ser mudado durante a utilização ou fabrico sem impacto no resto do cabo. De preferência, o substrato compreende um material elastomérico”… etc.

O aparelho Gillette Proglide deve sua patente aos inventores Christopher Raymond Eagleton e Andrew Anthony Szczepanowski.

As vistas do produto obtidas no Autodesk seguem-se abaixo:

Gillette-Fusion-Power-exploded_1

Figura 3.2 – Aparelho Fusion Proglider: cabeçote em detalhe. Autodesk.

Gillette-Fusion-Power_2

Figura 3.3 – Aparelho Fusion Proglider: Corpo em detalhe. Autodesk.

Gillette-Fusion-Power-3

Figura 3.4 – Aparelho Fusion Proglider: Detalhe do cabo. Autodesk.

Esperamos que os posts desta série, de números I, II e III tenham servido como uma introdução aos métodos modernos da TRIZ, em especial ao Meta-Algoritmo da Invenção, MAI-TRIZ.
Em posts futuros consideraremos outros produtos de uso corriqueiro à luz desta metodologia e suas aplicações práticas. Até lá!

PS: Ajude-nos a melhorar o conteúdo deste blog, enviando-nos seus comentários e sugestões.

3.2. REFERÊNCIAS

  1. ORLOFF, Michael, “Modern TRIZ, – A Practical Course with EASyTRIZ Technology”, Ed. Springer, Berlin Heidelberg, 2012.
  2. ORLOFF, Michael, “Inventive Thinking Through TRIZ – A Practical Guide”, Ed. Springer, Berlin Heidelberg, 2010.
  3. ORLOFF, Michael, ABC TRIZ, “Introduction to Creative Design Thinking with Modern TRIZ Modeling”, Ed. Springer, Berlin Heidelberg, 2017
  4. Autodesk, Blog de Peter Böker, Germany.
  5. Google Patents: Gillette Fusion Proglider.

(*) Transformamini renovatione mentis – Nova Vulgata, Apostoli ad Romanos, Epistola Sancti Pauli 12., Ref. (1), Pg. 22.

EASyTRIZ e MAI-TRIZ, Meta Algoritmo da Invenção

EVOLUÇÃO DE APARELHOS DE BARBEAR GILLETTE, DA PROCTER & GAMBLE.

PARTE II – Fundamentos de MAI-TRIZ – Meta-Algoritmo da Invenção

Eng. Prof. Sylvio Silveira Santos
sylvioss@gmail.com

“Be transformed by renewing of your mind.” (*)
Michael Orloff

Por meio dos princípios vistos no post anterior, Parte I, aplicaremos o método ao aparelho de Gillette Mach 3, uma evolução da lâmina da Gillette patenteada em 1904 e que chegou até nossos dias.
A marca Gillette atualmente é propriedade da multinacional Procter & Gamble, que em 1º de outubro de 2005 concluiu sua fusão com a The Gillette Company, adquirindo-a por 57 milhões de dólares.
Aparelho antigo Gillette

Figura 2.1 à esquerda: Modelo antigo do aparelho de barbear da Gillette, composto de cabo que se pode parafusar e uma cabeça articulada com duas abas que, abertas através de mecanismo giratório no cabo, permite que nele se insira uma lâmina Gillette de duas faces.

Gillette Mach III

Figura 2.2 – Componentes do aparelho Gillette Mach 3, surgido em 1998, de três lâminas, que inclui proteção contra cortes e lubrificante, uma evolução gradual dentro dos princípios da TRIZ.

 

 

Para este estudo, consideraremos o aparelho de gilete original mais antigo, que comportava a lâmina de duas faces conforme a (Figura 2.1).

Admitamos que, após algumas feituras de barba, se desejasse trocar a lâmina cega por uma nova. Para isto era preciso abrir o aparelho para a troca, com perda de tempo e de material (lâmina descartada, envelopes protetores, etc.).

Consideremos o aparelho de barbear mais recente, Gillette Mach 3, possuindo um cabo destacável do restante do conjunto. Este cabo, por meio do acionamento de um pequeno botão seletor/ejetor, permite que se escolha no cartucho qualquer dos conjuntos de lâminas para uso, que podem ser retiradas sem que as mesmas sejam tocadas com os dedos, evitando cortes acidentais (Figura 2.2).
É desnecessária uma descrição detalhada, de vez que o aparelho Mach III é bastante conhecido.

Examinemos, segundo os pontos de vista da TRIZ, algumas contradições apresentadas pelo aparelho Gillette da Figura 2.1.

1 – Descrição do Uso do Antigo Aparelho Gillette

Manuseio da lâmina: Neste modelo mais antigo, a troca de uma lâmina usada por uma nova obrigava a abrir as abas mediante um botão  e encaixar a lâmina, posicionando-a em seu compartimento e fechando-se o aparelho em seguida.
A lâmina a ser usada tinha de ser retirada antes de seus envelopes protetores, um interno (papel encerado) e outro externo, geralmente de cor azul (contendo a efígie do inventor K. C. Gillette), o que frequentemente ocasionava perda de tempo e material, desperdício para a empresa fabricante com os papeis encerados do envelope e seu tratamento químico, alem da caixa de papelão contendo as lâminas. Um certo tempo alem do necessário era despendido pelo usuário para retirar a lâmina usada e recolocação de uma nova.

1 – Contradição para uso do aparelho de barbear original:

  • Para um barbear suave  era preciso colocar uma lâmina nova no aparelho;
  • Isto acarretava perda tempo e de material (desperdício de papel, sendo dois envelopes, um deles papel encerado em contato com a lâmina e outro sendo o envelope externo, contendo ilustração com a efígie do inventor Gillette);

Podemos observar que propriedades contraditórias ocorrem e podem ser identificadas em qualquer objeto. Por isto, a contradição com duas propriedades opostas pode ser considerada um padrão, isto é, está presente em qualquer artefato, como uma característica intrínseca do mesmo, uma “template” ou molde, por assim dizer.

Poderemos tornar o conflito mais visível formulando uma síntese do que foi dito acima, em uma nova contradição – chamada também de Contradição de Hamlet, “To be or not to be, that´s the question”):

2 – A Gillette:

  • Deverá ser nova para um barbear suave;
  • Não deverá ser nova para evitar perda de tempo e de material.

Esta contradição denomina-se RADICAL.

De fato, em qualquer situação, existem duas possibilidades: “ser” ou “não ser” (a lâmina ser amolada); “ter” ou “não ter” (a propriedade de ser amolada), isto é, ou será uma lâmina nova ou uma usada ou cega. Cada possibilidade nos leva a duas situações diametralmente opostas e (aparentemente) a resultados incompatíveis.
Esta é uma CONTRADIÇÃO RADICAL, a RAZÃO, a RAIZ DO PROBLEMA.

O aparelho de barbear ilustrado na Figura 1.4 nos leva à seguinte ideia: nós poderemos fabricar conjuntos de lâminas prontas para uso, colocando-as em cartuchos como ilustrado na Figura 1.6 abaixo (refil) e usá-las de acordo com nossas necessidades de barbear.

Refil Mach 3
Figura 2.3 – Cartuchos dispensadores de lâminas integradas do aparelho de Gillette Mach 3. (Refil). Em https://www.frugalcouponliving.com

Pode-se substituir o conjunto gasto por um novo que esteja armazenado no cartucho e, quando todos os quatro conjuntos estiverem gastos, um novo cartucho poderá ser adquirido para recarga do aparelho.

Neste caso existem diversos processos intervenientes no artefato que mostram que a concepção e o projeto do aparelho de barbear Gillette Mach 3 seguem os seguintes princípios construtivos enumerados pela TRIZ:

Icone ação preliminar  AÇÃO PRELIMINAR – Lâminas já prontas são armazenadas no cartucho de antemão, disponíveis para uso imediato, ou seja:

  • Ação Preliminar – Princípio no. 10 da Tabela dos 40 Princípios Criativos de Altshuller que diz:

Ação Preliminar: Realizar, antes que sejam necessárias, alterações no objeto ou sistema (totalmente ou parcialmente). Predispor os objetos de modo que possam entrar em ação da forma mais conveniente, em lugar que evite perda de tempo para sua liberação e uso.

Podemos dar vários exemplos de ação preliminar que, devemos frisar, são bem intuitivos:

  • Estampilhas dos correios, que são fornecidas já pontilhadas e com cola adesiva;
  • Madeiras ou caixilhos previamente cortados, para ajuste nas construções residenciais;
  • Regras de conduta preventiva em caso de incêndios, disposição de sprinklers com detectores de fumaça, extintores posicionados para alcance rápido em caso de necessidades, etc.

Como estamos seguindo neste post o livro do autor, este princípio se encontra na página 427, enumerado na tabela dos “40 Primary Tansformation Models” (Navigators), linha 2 da tabela, Preliminary Action.

Icone_segmentação SEGMENTAÇÃO – Separação, no barbeador Mach 3, de suas partes: o corpo principal, que é o cabo, separado das lâminas; estas, por sua vez, se constituem de três unidades integradas em um cabeçote (lâminas paralelas lubrificadas) e já prontas para uso, no total de quatro unidades por cartucho, conforme a Figura 2.3.

No livro Modern Triz, pg. 427, este é o princípio de número 3 da tabela de Transformações Primárias.

SEGMENTAÇÃO, SEPARAÇÃO – Principio no. 1 da Tabela dos 40 Princípios Criativos de Altshuller que diz:

Segmentação, Fragmentação. Transição para o nível micro. Dividir um objeto ou sistema em partes independentes. Fazer com que um objeto seja fácil de desmontar. Aumentar o grau de fragmentação ou segmentação.

EXEMPLOS:

  • Para apagar incêndios, a nevoa (um tipo de fragmentação da água ao nível de espuma) é mais eficiente do que o jato dágua sob pressão que, dependendo do local, pode danificar os objetos tanto quanto o fogo. Esta é a razão de terem sido criados os “sprinklers”, que todos conhecem, tanto para apagar o fogo como também para irrigação.
  • Alimentos segmentados, como certos queijos (Polenguinho) que já vem prontos para consumo oindividual;
  • Uso do sabão em pó, em vez de barras para limpeza de chão, por exemplo, etc.

Icone Subst Ação Mecanica SUBSTITUIÇÃO DE AÇÃO MECÂNICA, Princípio 28 da Tabela dos 40 Princípios Criativos de Altshuller.

A substituição de componente mecânico também ocorre aqui: o barbeador tradicional foi substituído por:

  • Um componente, o cabo, que pode ser integrado às lâminas contidas em um cartucho (refil) vendido separadamente.
  • O aparelho de gilete de três componentes é substituído por um sistema dotado de uma estrutura especial, um mecanismo e suas partes moveis (conjuntos de três lâminas).
  • O principio 28 recomenda substituir o dispositivo mecânico, quando for possível, por um dispositivo sensorial (ótico, acústico, que afete o paladar, gosto ou cheiro).
  • Também recomenda o uso de campos elétricos, magnéticos e eletromagnéticos para interagir com o objeto. Deve-se procurar passar de campos estáticos para campos moveis e para sistemas que possuam estrutura. Procurar usar campos associados a materiais que possam ser ativados por eles, como materiais ferromagnéticos ou partículas.

EXEMPLOS:

  • Detetores de vazamentos de gás em residências ou indústrias, que usam efeitos químicos como cheiro, mudanças de cor ou alarmes;
  • Na Engenharia da Produção, o sistema JIT – Just in Time, que usa cartões Kanban para atender às demandas da linha de produção mantendo um mínimo de estoques;
  • A lavadora portátil Dolfi, lançada recentemente no mercado, que não usa sabão em pó (interação mecânica) e sim ultrassom para lavagem de roupas.

Dolfi-washing-machine

Figura 2.4 – Dispositivo portátil da Dolfi para lavagem de roupas, que substitui as pequenas máquinas de lavar usadas em viagens.

No caso examinado do aparelho Mach 3, na pg. 427 do livro do Prof. Orloff é recomendado o item 4, “Mechanical Substitution”, o que de fato foi feito ao se criar o barbeador da Gillette.

Icone Dinamização DINAMIZAÇÃO: Princípio 15 da Tabela dos 40 Princípios Criativos de Altshuller que diz:

Principio 15: Permitir (ou projetar) as características de um objeto, ambiente externo, processo ou sistema para alterar seu comportamento de modo que ele seja ótimo, ou para encontrar uma condição otimizada de operação.

Dividir um objeto ou sistema em partes capazes de movimentos relativos entre si. Se um objeto (ou processo ou sistema) for rígido ou inflexível, deve-se torna-lo móvel ou adaptativo.

O uso repetitivo deste princípio em combinação com o Principio da Segmentação resulta em padrões de interações crescentes, com uma possível transição para nível micro. Algumas etapas no processo de dinamização crescente incluem:

  • Sistemas rígidos ou imóveis
  • Sistemas com múltiplos anéis
  • Sistemas elásticos
  • Uso de campos em vez de objeto físico ou sistema para interagir.

EXEMPLOS:

  • Asas retráteis em jatos de combate;
  • Assentos retráteis em automóveis, para aumentar a capacidade de carga;
  • Mesas de refeição retráteis nos assentos de aviões;
  • Cadeiras retráteis em escolas e auditórios;
  • Para-choques traseiros retráteis para transporte de bicicletas em automóveis, etc.
  • Trem de pouso em aviões de carreira, que podem ser recolhidos.

No caso estudado aqui, a substituição do que poderíamos imaginar como sendo uma montagem passa a ser relativo à Dinamização, linha 7 da tabela citada.

Icon Inversion black AÇÃO INVERSA: Princípio 13 da Tabela dos 40 Princípios Criativos de Altshuller que diz:

Considerar a forma oposta de realizar a função: inverter a ação(s) para resolver o problema (por exemplo, em vez de esfriar um objeto, aquecê-lo). Tornar partes móveis fixas (ou o ambiente externo) e partes fixas móveis. Colocar o objeto (ou processo) de cabeça para baixo. Inverter o processo.
Em vez de levar a gilete ao aparelho e ajustá-la, no caso do Mach III, o cabo é levado ao cartucho para sacar as lâminas.

Algumas vezes este princípio é tomado ao pé da letra, literalmente.

Virando máquinas ou produtos em fabricação de cabeça para baixo tem resolvido muitos problemas em linhas de montagem, facilitando o manuseio e/ou soldagem de certas peças.

Na tabela da pg. 427 do livro texto que estamos usando, a ação de Inversão está referida na linha 11.

Icone descarte DESCARTE OU RENOVAÇÃO DE PARTES E/OU COMPONENTES – Princípio 34 da Tabela dos 40 Princípios Criativos de Altshuller.

No caso do barbeador trata-se do descarte das lâminas já usadas ou cegas e, ao se esgotarem as quatro unidades do cartucho, pode-se adquirir um novo cartucho.

O Princípio 34 sugere que se deve descartar partes de um objeto após o desempenho suas funções (descarte por dissolução, evaporação, etc.), ou modificação do mesmo durante a operação.
O exemplo mais imediato aqui é o de seringas usadas em laboratórios e imediatamente descartadas e incineradas.
Inversamente, pode-se pensar em restaurar partes consumíveis de um objeto diretamente durante a operação.
No livro adotado, este princípio refere-se à linha 13, que diz: “Inexpensive short-life object as a replacement for expensive long-life one”.

EXEMPLOS:

  • Na Engenharia de Produção, campo da Manufatura Enxuta, a troca rápida de ferramentas, SMED, obedece a este principio (SMED, ver em http://en.wikipedia.org/wiki/Single-Minute_Exchange_of_Die).
  • No lançamento de foguetes, o descarte de secções que já utilizaram seu combustível na ascensão, e que constituem peso morto após terem sido esvaziadas. A dissolução destes componentes se dá durante a queda por atrito com a atmosfera. Recentemente a empresa SpaceX do empreendedor Elon Musk tem recuperado estes estágios iniciais dos foguetes para nova reutilização.
  • Após determinadas cirurgias, fios usados para sutura dos tecidos do paciente podem ser absorvidos pelo organismo, sem necessidade de que os pontos sejam retirados.
  • Em ortopedia, parafusos e pinos são feitos de material que pode ser absorvido pelo organismo, substituindo parafusos de titânio, por exemplo.

icone matryoshka MATRIOSHKA, ou BONECAS ANINHADAS – Princípio 7 da Tabela dos 40 Princípios Criativos de Altshuller.

No caso aqui examinado como exemplo, refere-se ao uso de um cartucho de plástico para armazenar o conjunto de lâminas.
O princípio recomenda: Projetar o sistema de modo a possibilitar que se coloque um objeto dentro de outro: as lâminas prontas para uso ficam dentro do cartucho (Figura 1.6).
A denominação Matrioshka vem das conhecidas bonecas russas de madeira, em que umas se encaixam dentro das outras.

EXEMPLOS:

  • Antenas telescópicas, de uso variado na área automotiva, incluindo também anteparo solar (tapa-sol) retrátil, presente em certos modelos de veículos, como o SUV Captiva, da Chevrolet.
  • Também temos como exemplo as réguas de carpinteiro, trenas, fitas métricas do alfaiate, amortecedores de um modo geral, etc.

Segundo outro principio da TRIZ, que diz respeito a Tendências para Evolução, apontadores mecânicos tem cedido lugar aos apontadores a laser, no formato de canetas, destinadas a palestrantes em geral.

Ocorre a passagem de sistemas rígidos a sistemas com juntas, evoluindo para conjuntos completamente flexíveis  e sistemas com fluidos ou pneumáticos e, finalmente, a sistemas baseados em campos.

EXEMPLOS:

  • Matrioshka e encaixe: Cadeiras e mesas para piscinas, geralmente indeformáveis e fabricadas de plástico rígido as quais, para facilidade de transporte ou empilhamento, são leves e se encaixam umas nas outras com facilidade.
  • Cabos de guarda chuvas, alças de carrinhos de transporte de bagagens, etc.

No caso estudado aqui, a tabela da pg. 427 indica este princípio na linha 34, “Nested Doll”.

CONCLUSÕES:

Consideramos aqui alguns princípios aplicáveis ao barbeador Gillette Mach 3, hoje um produto da Procter & Gamble.

Poderemos resumir o que foi conseguido. Eis o resultado:

  • Perda de MateriaL: ZERO
  • Perda de Tempo: VIRTUALMENTE ZERO

CONCLUSÃO FINAL:

RESULTADO IDEAL, um dos objetivos do emprego da TRIZ! O processo completo de invenção do barbeador e sua evolução para o modelo Mach 3, aqui tomado como exemplo, após consideradas todas as contradições plausíveis de ocorrer neste tipo de projeto, pode ser resumido da seguinte forma:

Estágio 1 – Tendência:

Identificar deficiências no artefato considerado como protótipo, e determinar a direção ou direções de mudanças futuras. Por exemplo, “O que deveremos fazer para substituir as lâminas usadas por novas, sem ter de pegar na lâmina, evitando cortes nos dedos e facilitando uma troca rápida? ” Esta consideração, embora seja mínima, poderá indicar o caminho para uma solução ou melhoria do produto.

Estágio 2 – Redução:

Identificar causas do problema na forma de contradições. Torna-se claro que a obtenção dos objetivos pretendidos é contingente após eliminação de contradições. De fato, se nós pudermos substituir a lamina rapidamente e sem tocar nela, nenhum tempo será gasto com isto, e nenhum material será perdido! Resultado final ideal, mas ainda temos mais estágios a examinar!

Estágio 3 – Invenção:

Ideia chave: fabricar os conjuntos de lâminas que irão equipar os cartuchos com antecedência!
Do mesmo modo, projetar o cartucho de modo que se possa obter uma nova lâmina a partir daquelas guardadas no seu interior sempre que for preciso.

Estágio 4 – Zooming:

Finalmente, da mesma forma que podemos ajustar o foco e o zoom em uma câmera, precisaremos rever o resultado a partir de varias posições e níveis de escrutínio.

Por exemplo,

  • Ao nível do elemento de trabalho: a lâmina já está pronta para uso!
  • Ao nível do barbeador: as contradições originais foram eliminadas.
  • Ao nível da produção: é muito mais simples fabricar o corpo mecânico do barbeador (o cabo) e as lâminas separadamente.
  • Ao nível do usuário: o tempo é economizado, a tarefa de realizar um barbear suave e seguro fica assegurada;
  • Facilidade: É muito mais fácil comprar uma carga completa de lâminas do que comprar pacotinhos de gilete o tempo todo.
  • Ao nível do meio ambiente: o consumo de papel não mais será necessário (preservação da integridade do meio ambiente).

CONCLUSÃO: As quatro letras do nome destes estágios constituem-se em uma abreviação da sigla TRIZ, ou seja, T-R-I-Z. Os quatro estágios acima compreendem o que se postulou como sendo o método MAI-TRIZ, Meta Algoritmo da Invenção.

2.6. REFERÊNCIAS

  1. ORLOFF, Michael, “Modern TRIZ, – A Practical Course with EASyTRIZ Technology”, Ed. Springer, Berlin Heidelberg, 2012.
  2. ORLOFF, Michael, “Inventive Thinking Through TRIZ – A Practical Guide”, Ed. Springer, Berlin Heidelberg, 2010.
  3. ORLOFF, Michael, ABC TRIZ, “Introduction to Creative Design Thinking with Modern TRIZ Modeling”, Ed. Springer, Berlin Heidelberg, 2017

(*) Transformamini renovatione mentis – Nova Vulgata, Apostoli ad Romanos, Epistola Sancti Pauli 12., Ref. (1), Pg. 22.

EASyTRIZ e MAI-TRIZ, Meta Algoritmo da Invenção

EVOLUÇÃO DE APARELHOS DE BARBEAR GILLETTE, DA PROCTER & GAMBLE.

PARTE I – Fundamentos de MAI-TRIZ – Meta-Algoritmo da Invenção

Eng. Prof. Sylvio Silveira Santos
sylvioss@gmail.com

“Be transformed by renewing of your mind.” (*)
Michael Orloff

Gillette-Fusion-Power-exploded_view
Aparelho Gillette Fusion Power Proglider de 5 lâminas, uma evolução do aparelho Mach 3, estudado nesta série de artigos segundo a metodologia EASyTRIZ.

1.1 – O QUE É TRIZ?

TRIZ é uma forma estruturada para inventar novos produtos e serviços, originária da antiga União Soviética e adaptada às necessidades atuais das empresas e de interessados em inovação, colocando a criatividade ao alcance de qualquer pessoa.

Foi criada pelo engenheiro, inventor e escritor Genrich Altshuller, natural de TashkentUzbekistãoUSSR (15/10/1926 – 24/09/1998). A sigla TRIZ se refere à expressão em russo, “Teoriya Resheniya Izobreatatelskikh Zadach” que pode ser traduzida como Teoria Para Resolução de Problemas Criativos.

Um problema é dito “criativo” quando, no desenvolvimento de um produto ou serviço, uma contradição impede que se chegue a uma solução, à qual só pode ocorrer através de sua eliminação mediante uma inovação introduzida no sistema, seja no produto como um todo ou em uma de suas partes.

cropped-genrich-altshuller.jpg

Figura 1.1 – Genrich Altshuller, criador da TRIZ, Teoria Para Resolução de Problemas Criativos.

1.2 – EASY TRIZ

A EASyTRIZ é um método estruturado, prático e atual da TRIZ criado pelo Prof. Michael Orloff, do Instituto Técnico de Berlim e fundador da Modern TRIZ Academy, uma empresa global destinada à disseminação educacional de práticas e ideias inovadoras em TRIZ e metodologias afins.
Uma das vantagens deste método sobre outros existentes no aprendizado de TRIZ está em seu poder de análise e síntese, incentivando a expansão da capacidade de raciocínio das pessoas através de pontos de vista atuais e também tornando a TRIZ mais fácil de ser aprendida e ensinada, mostrando de que maneira um artefato pode ser analisado através de procedimentos estruturados originalmente estabelecidos por Altschuller.

O fato de EASyTRIZ ser um método sistemático e estruturado pode causar estranheza às pessoas que, geralmente, estão acostumadas a inovar através de métodos como Brainstorming, Design ThinkingPensamento Lateral de De Bono e outros processos conhecidos para inovar, em que a imaginação é estimulada a atuar livre e criativamente.
Em vez de substituir estes métodos, a EASyTRIZ pode funcionar como um poderoso complemento de qualquer um deles e vice versa!
Vejamos um exemplo básico de aplicação da EASyTRIZ, uma das faces do Meta-Algorítmo da Invenção, MAI-TRIZ.

1.3 – META ALGORÍTMO DA INVENÇÃO, MAI-TRIZ ©

O META ALGORÍTMO DA INVENÇÃO, MAI-TRIZ © é uma padronização simplificada para o uso da TRIZ voltada para o treinamento, cursos e seminários destinados à criação de novos produtos e geração de ideias inovadoras.

Baseado em quatro estágios de ARIZ, Algoritmo Para Resolução de Problemas Criativos, originalmente proposto por Genrich Altshuller, este método consiste de uma abordagem da TRIZ que remonta às origens do método e estabelece etapas sucessivas para sua aplicação, possibilitando obter resultados diretos de uma maneira surpreendentemente eficaz.

O método é extenso e aqui falaremos apenas de uma pequena parte do mesmo, que faz uso dos princípios de aprendizado segundo o Construtivismo, que permite ao educando construir o seu próprio conhecimento por intermédio de alguma ferramenta, no caso o computador, juntamente com os princípios da MAI-TRIZ.

Derivado da Versão mais simples do Algoritmo Para Resolução de Problemas Criativos de Altshuller, ARIZ 56, na forma do Meta-Algoritmo da Invenção, o processo foi revisto pelo Prof. Michael Orloff e tornado simples de compreender, conforme ilustrado abaixo:

Meta Algoritmo Invenção

Figura 1.2 – Meta-Algoritmo da Invenção (MAI) T-R-I-Z e suas 4 etapas. Fonte: ORLOFF, Michael, Modern TRIZ (1), Pg. 58, Principles of TRIZ.

Revisando o que já foi visto em posts anteriores, as quatro letras da sigla TRIZ assinaladas em negrito na figura acima possuem o seguinte significado:

Estagio 1 – T (TENDENCIA) – Identifica deficiências no artefato ou objeto considerado como protótipo, e determina a direção (T – Tendência) de futuras alterações. Todos os sistemas tendem evoluir para sistemas ideais, sejam eles técnicos ou não, em que os custos e o desperdício tendem a zero e os benefícios para o infinito.
Obviamente tais sistemas não existem na prática, mas todos os sistemas técnicos seguem esta tendência.

Estágio 2 – R (REDUÇÃO) – Identifica causas das deficiências e problemas no objeto em estudo na forma de CONTRADIÇÕES. Contradições constituem-se em um aspecto fundamental no uso da TRIZ, e saber identificá-las logo no início consiste de uma etapa importante no uso da metodologia.
A identificação de contradições procura fazer com que os objetivos almejados fiquem explicitados, sendo contingentes após eliminação das contradições.

Estágio 3 – I (INVENÇÃO) – Com base nos instrumentos auxiliares de TRIZ, por exemplo, RECURSOS (que podem ser invisíveis ou não), deve-se partir para a invenção (segundo a evolução de algo existente ou a criação de algo absolutamente novo, com uso de alguns ou um dos 40 PRINCÍPIOS INVENTIVOS de Altshuller);

Estágio 4 – Z (ZOOM) – Desta feita, da mesma forma que podemos alterar o foco ou o zoom em uma câmera, procede-se a uma revisão do resultado a partir várias visões, posições e níveis de escrutínio: visão no nível do objeto ou produto, de sua interface, facilidade e conveniência de uso, resistência, danos ou não que o produto possa causar ao meio ambiente e às pessoas, confrontação com produtos semelhantes, caso existam, custo e facilidade de fabricação, etc.

As quatro letras da palavra TRIZ (Theory of Inventive Problem Solving) compõem a estrutura do método, MAI TRIZ, “Meta Algorithm of Invention – TRIZ”.

O Prof. Michael A. Orloff vem desenvolvendo este método desde 1995, aplicando-o a problemas com vários níveis de dificuldade. Através de seu método, ele se propõe a:

  • Criar novos métodos de ensino da TRIZ, aplicável à Inovação Sistemática e Criatividade, extraindo e reinventando soluções a fim de exemplificar aquelas mais eficientes e modelar o processo de invenção;
  • Desenvolver um formato padronizado e simples para representar resultados de reinvenções: o Meta-Algoritmo da Invenção (MAI TRIZ);
  • Usar como exemplos, da forma mais ampla possível, objetos e ou produtos simples disponíveis (artefatos) com a finalidade de expor os princípios da TRIZ usando a metodologia MAI (Meta Algoritmo da Invenção) em exemplos completos.

Segundo ele, estas recomendações ajudarão a reduzir o nível de complexidade no ensino da TRIZ, garantir a universalidade do conhecimento adquirido, assegurar a credibilidade do método proposto e acelerar a formação de habilidades características da aplicação do mesmo por meio de uma metodologia construtivista através de exemplos simples.

A MAI TRIZ baseia-se em cinco paradigmas radicalmente inovadores:

  1. Paradigma do “Artefato”: É explicitamente postulado que o escopo do aprendizado é ilimitado e inclui quaisquer artefatos, abordando não apenas aspectos técnicos sobre patentes, mas quaisquer fontes de informação oferecendo ideias eficientes e soluções.
    O objetivo do paradigma é examinar a transição de qualquer artefato do estado “do que era” para o estado em que “se tornou”, acompanhado da resolução (eliminação) de contradições sistêmicas que existiam enquanto o artefato estava no estado “do que era”. A metodologia usada envolve essencialmente a reprodução, reconstrução, repetição do processo por meio do qual uma ideia eficiente foi criada originalmente, através de uma comparação entre “construções” do protótipo e artefatos resultantes realizando funções similares.
  2. Reforço da Experiência: Este paradigma realiza e reforça, mediante sua transformação em um axioma metodológico, a experiência disponível, contribuindo para reduzir a complexidade do objeto por meio do exame de alterações inovadoras não apenas no âmbito tecnológico, mas também em campos como marketing e gestão, com aplicações também na área militar ou até mesmo nas áreas artística e educacional.
    Não existem fatores observáveis que restrinjam o uso do paradigma.
  3. Paradigma da “Extração”: é necessário que o método seja estruturado, com a finalidade de identificar modelos de transformação (métodos criativos, inventivos, usados para gerar ideias) e contradições (motivos para se criar alterações, inovações, invenções), usando-o como uma metodologia intensiva e sistemática de ensino da TRIZ.
  4. Paradigma da “Reinvenção”: Organização de um treinamento eficiente baseado na modelagem do ciclo completo da criação (invenção) de um produto que faça uso de uma ideia construtiva, em que o artefato parte do estado “do que era” (artefato protótipo) para o estado em que “se tornou” (artefato resultante), fazendo valer uma visão destinada a acelerar a correta aquisição das habilidades praticas voltadas para a subsequente geração de novas ideias.
  5. Paradigma da Padronização: Na utilização do Meta Algoritmo da Invenção segundo TRIZ, (MAI TRIZ) deve-se procurar padronizar o treinamento, e o processo subsequente de geração de ideias, com base nos quatro estágios do Algoritmo para Resolução de Problemas Criativos (ARIZ), sendo eles:
    Trend (Tendência) –>Reducing (Redução) –> Inventing (Invenção) –> Zooming (Zoom)

Em última análise, esta sequência reproduz, exatamente, estágios dos processos indicados pelas iniciais da palavra TRIZ.

O desenvolvimento de uma metodologia sistemática padronizada e organizada para modelar a transição (transformação) do protótipo de um artefato conhecido do estado em que “era” para um artefato conhecido referente ao que “se tornou” é um passo radical, segundo o autor, no sentido de se garantir a reprodutibilidade do método e a eficiência do treinamento.
Uma vez adotado, o método tenderá a evoluir para um eficiente processo de geração de novas ideias, o qual poderá sempre ser usado para resolver contradições sistêmicas presentes em qualquer artefato conhecido e que necessite ser melhorado.
O artefato protótipo passará então para o estado “é”, em que se encontra no presente.
Deste modo, necessitaremos inventar um principio de construção para o mesmo, o qual irá resultar no estado “necessário”, que deverá possuir as novas propriedades exigidas, livre das propriedades conflitantes presentes no artefato de partida.

1.4 – APLICAÇÃO DO MÉTODO A QUALQUER ARTEFATO: EXTRAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO

Em geral, o método MAI-TRIZ, qualquer que seja o artefato, segue um MODELO DE EXTRAÇÃO e TRANSFORMAÇÃO, como indicado na Figura 1.3 a seguir.

O processo de invenção deste artefato parte da situação de um estado original de ”O que era” para um novo estado “O que é”, mediante a utilização de uma “FUNÇÃO ÚTIL PRINCIPAL” (Main Useful Function, MUF), a qual determina qual é o propósito do artefato.

O MODELO DE EXTRAÇÃO tem por objetivo representar modelos de transformação (Figura 1.3) correspondentes a qualquer artefato (fornecido) usando qualquer fonte de informação (fornecida) descrevendo ideias inovadoras ou objetos.

Dois artefatos assim utilizados podem coexistir simultaneamente, por exemplo, um carro antigo coexiste com um novo modelo da mesma marca, tendo os dois objetos considerados uma existência real.

O primeiro artefato se denomina PROTÓTIPO e o segundo ARTEFATO RESULTANTE.Modelos de transformação

Figura 1.3 – O Método de EXTRAÇÃO (Cf. ORLOFF, Michael, obra citada, Pg. 125)

Existem dois modelos de EXTRAÇÃO:

Extração Tipo 1 – Identificação de todos os modelos de transformação objetiva integralmente ou parcialmente presentes a partir do artefato protótipo e chegando-se ao artefato resultante;

Extração Tipo 2 – Identificação de transformações dominantes necessárias para garantir a transição do artefato protótipo para o artefato resultante, e associado à remoção de certas contradições.

Nos exemplos iniciais do método MAI-TRIZ, podemos citar as seguintes transformações, algumas das quais já foram empregadas em posts anteriores e aqui repetidas:

  • Segmentação
  • Propriedade local
  • Separação
  • Dinamização
  • Cópia
  • Transição para outra dimensão
  • Universalidade
  • Unificação
  • Matrioshka, encapsulamento (Bonecas aninhadas de madeira, originais da Russia)

Na próxima postagem procuraremos destacar estes princípios básicos aplicando-os a um aparelho antigo de barbear da Gillete, passando dele a um mais recente, o aparelho de barbear Mach 3, que opera mediante a integração do corpo do produto, o cabo, que custa barato, com os cartuchos encaixáveis no cabeçote do produto principal (refil) contendo as lâminas que devem ser integradas ao corpo do produto.

O conjunto, ao ser comercializado, entrou no mercado fazendo parte de um modelo de negócios muito estudado, denominado Lock-In pelos estudos da Universidade de St. Gallen na Suíça, em que o produto principal é vendo a baixo preço e seus insumos (consumíveis) a preço elevado, garantindo o lucro do fabricante.

Exemplos de negócios semelhantes são praticados pelo produto Nespresso, da Nestlé (1986), em que as máquinas de fazer o café são baratas mas os cartuchos de café para elas são de preço elevado (saem aproximadamente R$ 400 reais o Kilo! dependendo do tipo do preparado para café); aparelhos dosadores para testes de insulina que são baratos, mas os conjuntos de testes são caros;  impressoras da Hewllet Packard (1984) que são baratas, mas os cartuchos caríssimos. etc.
Estes modelos de negócios, em número de 55, estão publicados no livro “O Navegador de Modelos de Negócios”, de Oliver Gasmann, Karolin Frankenberger & Michaela Clark, cuja leitura recomendamos. Uma separata dos modelos pode ser acessada aqui.

1.5 – REFERÊNCIAS

  1. ORLOFF, Michael, “Modern TRIZ, – A Practical Course with EASyTRIZ Technology”, Ed. Springer, Berlin Heidelberg, 2012.
  2. ORLOFF, Michael, “Inventive Thinking Through TRIZ – A Practical Guide”, Ed. Springer, Berlin Heidelberg, 2010.
  3. ORLOFF, Michael, ABC TRIZ, “Introduction to Creative Design Thinking with Modern TRIZ Modeling”, Ed. Springer, Berlin Heidelberg, 2017
  4. GASSMANN, Oliver, FRANKENBERGER, Karolin & CSIK, Michaela, “O Navegador de Modelos de Negócio – 55 Modelos para Revolucionar Seu Negócio”, Editora Alta Books, 2016 – Rio de Janeiro.

(*) Transformamini renovatione mentis – Nova Vulgata, Apostoli ad Romanos, Epistola Sancti Pauli 12., Ref. (1), Pg. 22.

 

A bucha de Fischer: um produto global

Práticas em Inovação Sistemática e Criatividade

Eng. Prof. Sylvio Silveira Santos
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“Be transformed by renewing of your mind”.
Michael Orloff

A bucha de Fischer para fixação segundo EASyTRIZ e o Meta-Algoritmo da Invenção: T-R-I-Z (MAI T-R-I-Z)

Bucha Fischer Abert

A bucha de fixação, produto globalmente conhecido quando necessitamos pendurar um quadro ou qualquer outro objeto em parede sólida, invenção de Artur Fischer.
(Imagem: https://www.deutschland.de).

Em post anterior falamos sobre tecnologias inovadoras relacionadas à mobilidade sustentável, e apontamos algumas correlações com nossas atividades e cursos em TRIZ, Teoria de Resolução de Problemas Criativos.

Aqui desejamos falar sobre uma invenção simples, de uso tão frequente em nosso cotidiano ao fixar um quadro na parede que, raramente, nos perguntamos de onde surgiu esta ideia tão interessante e inovadora.

Estamos nos referindo à Bucha de Fischer, criada pelo genial inventor e empreendedor Artur Fischer, nascido em 31 de Dezembro em 1919 em Tumlingen, na Alemanha, criador das buchas de fixação que receberam seu nome, as quais uma vez patenteadas deram origem ao Grupo Fischer de atuação global e às numerosas empresas que o compõem.

Este prolífico inventor era detentor, em 2008, de nada mais do que 1.121 produtos industriais e invenções patenteadas – um número considerável de invenções – as quais justificam a conversão da data de seu aniversário, 31 de Dezembro, como aquela do Dia do Inventor na Alemanha.
Abaixo vemos as características de uma bucha das mais simples existentes, cuja concepção nos mostra que, para inventar, as coisas não precisam ser complicadas.

Estrutura de uma bucha

Figura 1: Estrutura de uma Bucha Fischer para alvenaria e concreto.
Fonte: http://www.construchemical.com

ANÁLISE DESTA INVENÇÃO SEGUNDO EASyTRIZ e o Meta-Algoritmo da Invenção:
T-R-I-Z (MAI T-R-I-Z 1995)

A EASyTRIZ, que se baseia no Meta Algoritmo da Invenção conhecido por ARIZ – criado em 1956, por Genricht Altschuller – é uma atualização do mesmo criada por Michael Orloff para fins didáticos da TRIZ.
Esta representação moderna simplificada de ARIZ está representada a seguir:

Meta Algoritmo Invenção
Figura 2: Meta Algoritmo da Invenção – ARIZ 1956, originalmente concebido por G. Altshuller e modificado por M. Orloff, como parte integrante de seu método estruturado EASyTRIZ, para finalidades didáticas da TRIZ.
Fonte: ORLOFF Michael, “The great is seen at a distance” – Academy of Instrumental Modern TRIZ – AiMTRIZ, Berlin, Germany, 2016.

Como mostrado na Figura 2, o Meta Algoritmo da Invenção compreende 4 etapas básicas, que são as seguintes:

  • Análise do produto como era ele no passado (TREND – Tendência);
  • Análise dos Modelos de Contradição do objeto em estudo (Etapa REDUCING – Redução);
  • Aplicação dos Modelos de Transformação (INVENTING – Invenção);
  • Análise da solução, (ZOOMING – Zoom): revisão das etapas aplicadas, para investigação da conformidade da reinvenção do novo objeto com as etapas anteriores.

O círculo no centro da figura faz parte do processo, consistindo de uma base de dados de produtos já analisados que podem auxiliar no aperfeiçoamento, criação ou invenção de novos produtos.

Em resumo, o processo consiste em:

  1. TENDÊNCIA,  2. REDUÇÃO, 3. INVENÇÃO e 4. ZOOM (Zoom com significado de Revisão)

Vejamos o teor destas etapas:

  1. TENDÊNCIA – No passado, se desejássemos fixar um parafuso na parede faríamos pequenos pinos de madeira e os rebateríamos com um martelo em um buraco antecipadamente preparado com uma furadeira. Muitas vezes, os pinos amassavam, dificultando a operação, alargando a perfuração e ocasionando um afrouxamento do parafuso. Aparentemente uma operação simples, mas que geralmente arruinava a parede e a instalação. O que fazer?
  2. REDUÇÃO – (RFI, Recurso Funcional Ideal): Um certo recurso X , juntamente com recursos disponíveis ou modificados, e sem tornar o objeto mais complexo ou sem introduzir quaisquer propriedades negativas, pode assegurar que se chegue à seguinte solução:
    RFI: Por meio de uma bucha de plástico ou outro material flexível, pode-se apertar o parafuso de sustentação no seu máximo possível, sem danificar a parede, possibilitando uma fixação segura.

2.1 – Análise da CONTRADIÇÃO PADRÃO:

Nesta etapa, em termos gerais, se tem a solução de uma CONTRADIÇÃO PADRÃO que, na Tabela das Transformações de Altshuller (A-Matrix) e atualizada por M. Orloff, (Pg. 424 e seguintes da obra citada), nos leva às entradas:

Entrada 07 – COMPLEXIDADE DA CONSTRUÇÃO versus Entrada 21 – FORMA.

Os Princípios Inventivos presentes na célula da tabela em que se cruzam a linha 07 com a coluna 21 são os de números 04, 07, 11, 14, números estes que na TABELA DOS 40 MODELOS DE NAVEGAÇÃO PRIMÁRIOS de M. Orloff (Navegadores) são:

04 – Substituição de material mecânico;
07 – Dinamização;
11 – Ação inversa;
14 – Uso de construções pneumáticas ou hidráulicas.

2.2 – Análise da CONTRADIÇÃO RADICAL:

O plug “é duro” (sólido, para fechar hermeticamente o buraco) VERSUS “macio”, (para tornar possível nele fixar o parafuso).

  1. INVENÇÃO

3.1 – Modelos dominantes que podem ser usados para resolver a CONTRADIÇÃO PADRÃO:

04: Mudar o estado agregado do objeto;
07: Dinamização e, adicionalmente,
01: Alterar o estado agregado do objeto.

A invenção da bucha concorda totalmente com estes navegadores: o corpo da bucha é feito de plástico elástico (modelo 01), de modo a permitir sua expansão; seu diâmetro aumenta (Figura 1) e o parafuso entra em seu interior com facilidade (Modelos 04 e 07 acima).

3.2 – Recursos dominantes usados para se resolver a CONTRADIÇÃO RADICAL:

Recursos estruturais (cortes, saliências, ressaltos, etc.), recursos espaciais (novos formatos em 3D) e recursos materiais (uso de material elástico, mas ao mesmo tempo rígido e durável): a bucha, quando expandida, é rigidamente fixada no buraco.

  1. ZOOM

As contradições foram removidas. Super-efeito: padronização e produção em alta escala em qualquer tipo de montagem, com a consequente simplificação do trabalho!

DESCRIÇÃO BREVE: criação de um dispositivo simples, resistente, durável, destinado a auxiliar a fixação de pinos ou parafusos em quaisquer tipos de parede de tijolos ou concreto: pinos padronizados de variadas formas e tamanhos (Modelos 01: Alterar o estado agregado do objeto, 04: Substituição de material mecânico e 07: Dinamização).

CONCLUSÃO: A bucha de fixação criada pelo Prof. Arthur Fischer se tornou um verdadeiro produto global.  Igualmente conhecidos são outros produtos do Grupo Fisher, como aquele ilustrado a seguir:

Prof Fischer

Figura 3 – Prof. Artur Fisher, agraciado com o prêmio European Inventor Awards de 2014, exibindo uma das maiores buchas  fabricadas pelo Fischer Group, destinada à fixação de grandes painéis e paredes de alvenaria, concreto, madeira e outros materiais de construção. Fonte: http://www.inventricity.com

PS: O Prof. e Doutor em Engenharia Artur Fischer, fundador do Grupo Fischer em 1948,  faleceu no dia 27 de Janeiro aos 96 anos de idade. (http://www.fischerbrasil.com.br).

Direitos: Post traduzido e adaptado da Referência 1, Modern TRIZ – A Practical Course with EASyTRIZ Technology, de Michael A. Orloff.

REFERÊNCIAS

  1. ORLOFF, Michael A., Modern TRIZ – A Practical Course with EASyTRIZ Technology, Springer-Verlag, Berlin, Heidelberg, 2012.
  2. ORLOFF, Michael, Inventive Thinking Through TRIZ – A Practical Guide, Springer-Verlag, Berlin, Heidelberg, 2nd. Edition.
  3. ORLOFF, Michael, ABC-TRIZ: Introduction to Creative Design Thinking with Modern TRIZ Modeling, Springer International Publishing Switzerland, 2017.
  4. ORLOFF Michael, The great is seen at a distance: ARIZ and TRIZ origins – On the 60th anniversary of the first article and the 55th anniversary of the first book by Genrikh Altschuller – Academy of Instrumental Modern TRIZ – AiMTRIZ, Berlin, Germany, 2016.

Hyperloop e transporte em alta velocidade

Hiperloop_image

Visão de uma das inúmeras versões do Hyperloop (https://fakty.ictv.ua)

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O SISTEMA DE TRANSPORTE DE ALTA VELOCIDADE HYPERLOOP

Visitando o site da Hyperloop do empreendedor Elon Musk (CEO de diversas empresas inovadoras como SpaceX, Tesla, Open AI, NeuralLink e SolarCity), confirmamos a notícia de que o governo mineiro patrocinou um acordo de transferência de tecnologia e investimentos conjuntos entre a Hyperloop e a Prefeitura de Contagem. Segundo os jornais, esta start-up, na região vizinha a Belo Horizonte, desenvolverá estudos para aplicar a nova tecnologia principalmente no transporte de cargas e produtos.
O investimento inicial de US$ 7,85 milhões (cerca de R$ 26 milhões) virá de parceria público-privada que inclui a HyperloopTT, a Secretaria de Desenvolvimento de Minas Gerais e investidores privados. O comunicado não informou quanto cada parte desembolsará. (https://super.abril.com.br)

Esta tecnologia, embora ainda sujeita a controvérsias devido aos elevados custos financeiros de implantação, por ser um sistema open source, permite que da ideia inicial de Elon Musk (veja neste link) sejam extraídas diversas variantes, motivo pelo qual vem tendo aceitação em várias partes do mundo, inclusive no Brasil e, mais especialmente, em Minas Gerais.
Dentre aplicações promissoras da tecnologia, em Tolouse, na França, o Hyperloop para passageiros e cargas em escala real será o primeiro a operar oficialmente em 2019, conforme noticiado pela InfoMoney: http://www.infomoney.com.br/negocios.

A HyperloopTT (https://-one.com/) começou trabalhar nesta tecnologia de forma colaborativa a partir dos planos de Musk, mas não é uma tecnologia inteiramente nova em seus pressupostos.
A empresa americana Virgin, sua concorrente em vários projetos, possui uma concepção desenvolvida em associação com a Hyperloop já em sua terceira fase de testes, que podem ser vistos no YouTube em https://www.youtube.com/ e em Test Track 2018.

A exequibilidade deste projeto de Musk, apesar de criticada por alguns especialistas,  é mais uma aposta deste empreendedor e visionário, cuja audácia o tem levado a superar a NASA em certos setores.
Podemos citar como exemplo a entrega regular de cargas de mais de uma tonelada à estação orbital internacional através das capsulas Dragon, por meio de foguetes da série Falcon 9, cujo primeiro estágio é recuperado e reaproveitado em novos lançamentos.

No YouTube, onde estão centenas de filmes sobre o Hyperloop, podemos conhecer alguns dos princípios físicos reais desta tecnologia, cujas cápsulas seriam alimentadas por energia solar.

Comparando esta invenção com a do Prof. A. Yunitiskiy, mencionada em post anterior, vemos que são duas visões distintas, cada uma buscando se antecipar ao futuro, nas quais se sobressai a diferença entre as duas formas de transporte de alta velocidade: o fora e dentro de um tubo (Encapsulament, Matrioska, segundo a TRIZ), com base nas experiências do presente.

Uma análise do sistema de Yunitiskiy feita por Michael Orloff em “Inventive Thinking Through TRIZ”, Ed. Springer, Berlim, Pg. 231, destaca os seguintes Princípios de Transformação em TRIZ:

No. Princípio Aplicação
02 Ação preliminar As estações do sistema de Yunitiskiy estão projetadas para se situarem no centro das cidades, ao contrário de aeroportos, por exemplo.
03 Segmentação Uso de pequenos módulos de alta velocidade em vez de trens com extenso comprimento e elevado consumo de energia.
04 Substituição de material mecânico Melhorias na estrutura mecânica – amarrações leves, estruturas em fibras de carbono, por exemplo.
05 Separação Em sua totalidade, as linhas estarão separadas dos edifícios (embaixo ou acima) e do solo, ou subterrâneas ou mesmo sob a água.
06 Uso de oscilações mecânicas A frequência das vibrações no sistema de Yunitiskiy pode aumentar de acordo com as necessidades locais e de carga, a fim de economizar tempo.
08 Ação periódica Módulos de carga podem mover-se entre os módulos de passageiros, em viagens recorrentes.
11 Ação inversa Módulos rápidos em trilhas leves, em lugar de trens pesados, túneis e trechos escavados.
12 Propriedade local As linhas de sustentação são leves, e podem possuir um peso ideal entre os pontos de sustentação.
19 Transição em outra dimensão As linhas podem se instaladas entre pontos de coordenadas elevadas.

Tabela: Aplicação de diversos princípios e procedimentos da TRIZ na invenção do sistema de transporte de Yunitiskiy segundo a Tabela dos Navegadores Especializados,  A-Navigators, Apêndice 4, “Inventive Thinking Through TRIZ”.

Parece-nos evidente que os mesmos princípios se aplicam às tecnologias desenvolvidas pela Hyperloop e pela Virgin.

ANTECIPAÇÃO DESTAS INOVAÇÕES:

Propostas para estas inovações acham-se citadas em Global Sustainable Innoventions (GSI), um espaço generalizado da missão AiMTRIZ.

O GSI como uma tendência não é limitado apenas a problemas de larga escala e indica a necessidade de resolver problemas de qualquer porte em interesses pessoais ou globais, com base em valores universais, representados em particular pela Pirâmide de Maslow de Hierarquia das Necessidades Humanas e sua interpretação na sociedade atual globalizada.

Modernamente existem muitos problemas e desafios em particular, dentre os quais, segundo M. Orloff, se situam:

  • Desafios em sustentabilidade energética;
  • Desafios em sustentabilidade ecológica;
  • Idem em sustentabilidade dos sistemas de saúde, higiene e bem-estar, incluindo o problema da água;
  • Segurança alimentar;
  • Segurança contra incêndios em qualquer escala, nos campos e nas cidades, grandes e pequenas;
  • Sustentabilidade social, incluindo a solidariedade e resistência na prevenção de crimes, erradicação de drogas, etc.;
  • Educação global e eliminação da desigualdade no acesso a bens intelectuais e materiais.

Estamos convencidos de que a oportunidade e a eficácia de novas ideias poderiam ser ampliadas mediante a aquisição de novos conhecimentos e habilidades através dos ensinamentos de especialistas na aplicação dos métodos (M) TRIZ.

A AiMTRIZ, Academy of Instrumental Modern TRIZ, procura habilitar interessados em Inovação Sistemática através destes métodos.
No Brasil, somos colaboradores desta respeitada academia e, em breve, por seu intermédio, estaremos oferecendo os primeiros cursos online em Português sobre EASyTRIZ.

Para acesso ao projeto original de Elon Musk sobre o Hyperloop, Versão Alfa, clique neste link.

Inovação Sistemática com EASyTRIZ

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String Transport Yunitsky

Imagem: Representação de um moderno sistema de transporte para grandes cidades concebido e projetado pelo inventor e especialista em TRIZ Anatoly Yunitskiy, projetista do novo meio de transporte denominado Unitsky String Transport (UST)
Referências: http://www.yunitskiy.com e Modern TRIZ Academy

Bem Vindo!

Neste site estaremos em breve publicando uma série de lições sobre a Metodologia EASyTRIZ, referentes a cursos e treinamentos oferecidos pela Modern TRIZ Academy, um empreendimento global visando o ensino e a difusão de TRIZ conforme os seguintes objetivos:

  • Funcionar como uma introdução à TRIZ Moderna, EASyTRIZ, desenvolvida pela Academy of Instrumental Modern TRIZ, baseada na TRIZ original desenvolvida por Genricht Altschuller;
  • Estabelecer os fundamentos básicos para o aprendizado de EASyTRIZ e, desta forma, permitir ao estudioso conhecer os métodos estruturados para inovação recomendados pela Modern TRIZ Academy.

A EASyTRIZ foi criada pelo especialista em TRIZ, Dr. Prof. Michael Orloff, da Academia Técnica de Berlim e principal gestor da Modern TRIZ Academy, instituição educacional voltada para o ensino e difusão da TRIZ Moderna de uma forma prática e accessível através de métodos reconhecidos internacionalmente.

O QUE SÃO OS PROGRAMAS EDUCACIONAIS EM EASyTRIZ DA MODERN TRIZ ACADEMY?

Destinam-se a estudar os fundamentos do método EASyTRIZ através de exemplos simplificados e aspectos didáticos atuais no ensino de TRIZ e suas aplicações em Inovação Sistemática e Criatividade.

PORQUE FAZER ESTES CURSOS?

Um grande número de pessoas tem procurado diversificar suas atividades, criando melhores condições para competir em novas frentes no mercado de trabalho.
A busca por conhecimentos acerca de novos métodos para inovar, aliados à prática alicerçada na experiência, está sendo exigida não apenas de pessoas atuantes em todos os níveis da hierarquia funcional, mas está também presente no portfólio de muitas empresas, institutos de pesquisas, grandes laboratórios e universidades, que acompanham no dia-a-dia a evolução das tecnologias e métodos associados à inovação.

Em um ambiente mutável como o de hoje em dia, a diversificação de oportunidades surgidas e provenientes da área tecnológica não encontra paralelo em outras épocas, visto que o progresso que ocorre atualmente em todos os setores de atividades tem feito do nosso tempo um período de expectativas de esperanças para um futuro melhor, tanto para o homem comum em sociedade, como para empresas em muitos países.

Pensar, e saber pensar criativamente são propostas originais estabelecidas por Genrich Altshuller, idealizador da TRIZ, a “Teoria Para Resolução de Processos Criativos”.
O método EASyTRIZ visa não só a conceber e criar o novo, mas também proporcionar aos interessados em inovação sistemática uma forma simples e objetiva do aprendizado desta metodologia, sem desprezar os rigorosos fundamentos estabelecidos por seu autor original, Genricht Altshuller.

Visando proporcionar aos interessados as condições necessárias para um aprendizado eficiente e a difusão de EASyTRIZ no Brasil, estaremos em breve abrindo inscrições para cursos à distância orientados para métodos modernos em TRIZ, mediante credenciamento e autorização da Modern TRIZ Academy, através de nosso acompanhamento.

Nestes cursos, procuraremos conciliar o impacto das necessidades de treinamento em inovação com o tempo escasso que geralmente resulta após um dia inteiro de trabalho, introduzindo lições em que temas de difícil assimilação tornar-se-ão fáceis de compreender, sem que sejam deixadas de lado as atividades do dia-a-dia de trabalho ou dos estudos.
Acreditamos que umas poucas horas por dia serão suficientes para o aprendizado da Inovação Sistemática segundo os fundamentos e conceitos utilizados pela Modern TRIZ Academy, conforme os métodos estabelecidos pelo Prof. Orloff em EASyTRIZ e o Meta-Algoritmo da Invenção, de sua autoria e reproduzido em nossas lições.

Os cursos que estarão sendo oferecidos em Português são os seguintes:

  1. No programa inicial MTRIZ Junior:
    1. Estudantes do ensino médio;
    2. Professores de escolas técnicas e universidades;
    3. Estudantes e universitários de quaisquer universidades, mas especialmente para os não técnicos;
    4. Jovens especialistas de empresas industriais;
  2. No programa avançado do praticante MTRIZ:
    1. Estudantes de cursos superiores e programas de mestrado em ciências de qualquer instituição de ensino superior, mas especialmente para os técnicos;
    2. Professores universitários;
    3. Especialistas acadêmicos e industriais;
  • Para programas especiais do MTRIZ Master:
    1. Mestre em Ciências e Artes no MTRIZ Designer: fortalecimento na gama de problemas aplicados para qualquer especialidade, mas especialmente para especialidades técnicas.

A inovação através de métodos estruturados é uma área promissora do ponto de vista de uma formação multidisciplinar, em que conhecimentos específicos de grande valor estratégico e profissional compensam largamente este aprendizado. Trata-se de encarar o material que será exposto em nossos cursos como um empreendimento valioso, inigualável do ponto de vista de outros métodos comumente utilizados com a finalidade de inovar sistematicamente.

O fato de o método EASyTRIZ ser estruturado pode causar estranheza às pessoas acostumadas a inovar através de métodos como Brainstorming, Design Thinking, o Pensamento Lateral de De Bono e outros métodos conhecidos, em que a imaginação é estimulada a atuar livre e criativamente.
EASyTRIZ, em lugar de substituir estes métodos, pode funcionar como um poderoso complemento a qualquer um deles e vice versa.

As lições foram elaboradas utilizando grande diversidade de exemplos, expressos por meio de uma linguagem acessível, de fácil compreensão, não requerendo mais do que a determinação e curiosidade geralmente presentes nas pessoas que se interessam por inovação, para o desenvolvimento de novos produtos e serviços.

A TRIZ SEGUNDO OS PONTOS DE VISTA DE UM EDUCADOR

Os fundamentos modernos do método TRIZ estabelecidos por Michael Orloff, professor emérito e fundador da Academia Internacional de Tecnologia em TRIZ e membro do Instituto de Engenharia de Produção da Technische Universität Berlin, na Alemanha, terão como manuais para acompanhamento nos treinamentos diversos livros de sua autoria, dentre os quais se sobressaem “ABC-TRIZ – Introduction to Creative Design Thinking with Modern TRIZ Modeling” e “Modern TRIZ – A Practical Course with EASyTRIZ Technology”, bem como vários outros recursos online e em Português, capazes de render excelentes dividendos em troca de seu aprendizado, sendo superiores a outras modalidades existentes para o ensino da TRIZ presentes em outros livros, cursos e seminários tanto online como presenciais.

REFERÊNCIA BÁSICA PARA O CURSO INTRODUTÓRIO

ABC TRIZ
Um dos textos adotados no curso introdutório

ABC-TRIZ – Introduction to Creative Design Thinking with Modern TRIZ Modeling , de Michael Orloff – Ed. Springer, Berlin Heidelberg, 2012, uma das referências utilizadas nos futuros cursos, em que o Prof. Michael Orloff apresenta seu método para o ensino de TRIZ, “Meta Algorithm of Invention, MAI TRIZ” ©

EASyTRIZ – Uma forma prática e fácil para o aprendizado de TRIZ

Aulas e Cursos Virtuais Sobre Modern TRIZ

“Be transformed by renewing of your mind”
Michael Orloff

Visando proporcionar a engenheiros, profissionais, universitários e estudantes os fundamentos metodológicos e estruturados para inovar, bem como a abertura de novas oportunidades de trabalho, apresentaremos neste blog, em nossos próximos posts, a metodologia EASyTRIZ, utilizada nos treinamentos proporcionados pela Academy of Instrumental Modern TRIZ, de Berlim, na Alemanha.

ABC TRIZ
Um dos textos adotados no curso introdutório

Esta Academia, mundialmente respeitada no ensino da TRIZ, vem de abrir no Brasil, por nosso intermédio, a possibilidade de realização de cursos em vários níveis sobre os princípios dos métodos destinados à Inovação Sistemática desenvolvidos por Genrich Altshuller, inventor e engenheiro russo que lançou as bases da metodologia TRIZ.

Como uma forma estruturada na área de inovação, adotando métodos e processos ao alcance de qualquer pessoa, a TRIZ pode funcionar não apenas como uma sistematização de métodos e processos heurísticos para inovar, como também como um instrumento inigualável para amplificação da inteligência de seus praticantes, levando-os à abertura de novas oportunidades de realização profissional.

Visando atender aos interessados, colegas universitários, engenheiros e estudantes, estamos colocando à sua disposição os mais eficientes e internacionalmente respeitados métodos para inovar, aliados à prática alicerçada na experiência.

A TRIZ e os métodos dela derivados ou combinados, como a Gestão da Qualidade Total, o Desdobramento das Funções de Qualidade (QFD), Six Sigma e outras ferramentas de aprimoramento da qualidade em produtos e serviços, vem sendo cada vez mais agregada ao cabedal de conhecimentos exigidos pela sociedade do conhecimento, como complemento à formação de profissionais em todos os níveis da hierarquia funcional.

No ambiente mutável dos dias atuais a diversificação de oportunidades surgidas e provenientes da área tecnológica não encontra paralelo em outras épocas, em que o progresso que hoje ocorre em todos os setores de atividades tem feito do nosso tempo um período de expectativas por melhores dias e de esperanças para o futuro.

Pensar, saber pensar criativamente e inovar de forma sistemática são propostas associadas ao aprendizado da TRIZ, segundo seu idealizador Genrich Altshuller e seus seguidores, dentre os quais se destaca o Prof. Michael Orloff, criador do método EASyTRIZ, que visa não só a conceber e criar o novo, como também recriá-lo a partir do que já existe, através de um processo de análise e síntese, elevando a criatividade das pessoas a um novo patamar, para que sejam partícipes de uma sociedade globalmente conectada .

Tendo em vista estes fatos e visando proporcionar aos interessados em Inovação Sistemática as condições necessárias para um aprendizado eficiente da TRIZ, procuramos conciliar o impacto das necessidades de treinamento em inovação com o tempo escasso que geralmente resulta após um dia inteiro de trabalho, introduzindo um curso em que temas de difícil assimilação se tornem fáceis de compreender, sem que sejam deixados de lado os rigores do assunto.

Acreditamos que umas poucas horas por dia sejam suficientes para o aprendizado da Inovação Sistemática segundo os fundamentos e conceitos modernos da TRIZ, conforme os métodos estabelecidos pelo Prof. Orloff em EASyTRIZ e o Meta-Algoritmo da Invenção, de conformidade com os cursos proporcionados pela Academy of Instrumental Modern TRIZ, de Berlim, com nossa colaboração e mediante supervisão direta das fontes originais na Alemanha.

No próximo post forneceremos mais informações sobre EASyTRIZ e os novos cursos à distância anunciados.